Cleide Cavalcante
Agência Estado.
A cada ano, cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo completam 60 anos de idade, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). E, em comparação com 1980, o número de pessoas em todo o mundo com mais de 80 anos, aumentou 54%. Com base nesses dados, Alexander Sidorenko, da Unidade de Envelhecimento da ONU, faz a advertência: no próximo século, a velhice será uma das principais questões sócio-econômicas enfrentadas no mundo.
Para o brasileiro Alexandre Kalache, que vive na Europa e assumiu em 1997 a chefia do mesmo setor da Organização Mundial de Saúde da ONU, o envelhecimento da população representará a grande revolução do século 20 e o maior desafio será manter uma geração saudável, ‘‘o que transcende a área médica e mexe com todos os setores da sociedade’’.
Sempre que aborda o assunto, ele cita dados estatísticos preocupantes, não só para o Brasil, mas também para o mundo. Na parte que toca ao nosso País, a OMS prevê que, até 2025, o número de idosos saltará de 11 para 32 milhões e isso exige reformas urgentes no sistema de previdência, para garantir uma vida melhor aos idosos, alerta o médico. E faz uma comparação: em 1950, a população brasileira era de 2,1 milhões de pessoas com mais de 60 anos, a 16ª no mundo; no ano 2000, chegará a 14 milhões; e passará a ser a sexta do mundo em 2025.
SANEAMENTO E EDUCAÇÃO
Uma das providências mais urgentes defendidas pela OMS refere-se ao saneamento básico e à educação, além de uma política de prevenção contra as doenças. Entre as medidas que podem ser tomadas, independente das providências das autoridades, orienta a OMS, estão a da educação alimentar e da atividade física. No primeiro caso, para citar um exemplo, quem ingere cerca de 700 miligramas de colesterol por dia encurta a vida em três anos, segundo estudos da OMS.
Some-se a isso o excesso de bebidas alcoólicas e tem-se a perda de mais um ou dois anos, dependendo do caso. Em seu trabalho intitulado ‘‘A Explosão Demográfica da Terceira Idade no Brasil’’, o pesquisador Luís Ramos informa que, hoje, os idosos consomem 50% dos recursos de saúde, em seus tratamentos. Como as projeções indicam um crescimento dessa faixa da população, o custo social também irá ficando gradativamente maior, a não ser que o País passe a adotar políticas mais eficientes de atendimento aos idosos.
Em contrapartida, a educação alimentar pode ajudar a garantir uma vida mais saudável na terceira idade, poupando, assim, pesados investimentos no tratamento da saúde. Os pesquisadores Tny Smith e Patricia Last recomendam três refeições equilibradas por dia.
Ainda de acordo com o estudo da ONU, os países pobres envelhecem mais depressa do que os ricos, principalmente por causa da falta de uma tecnologia médica mais avançada. Entre os onze países com maior população de idosos há seis do Terceiro Mundo: Índia, Indonésia, Brasil, Paquistão, México e Nigéria.
Um dos problemas que impedem uma ação mais ágil para que o Brasil possa estar preparado para atender o aumento do número de idosos é o reduzido número de geriatras, segundo os especialistas. A lei 8.842/94, sobre a política nacional do idoso, prevê a adoção de programas preventivos e serviços destinados ao atendimento de 400 mil idosos de baixa renda. Mas o rápido crescimento da faixa etária acima dos 60 tende a forçar uma reforma para ampliar o atendimento.
Outra lei, a 6.448, de abril de 1993, altera o artigo 399 do Código Civil, acrescentando que ‘‘cabe aos filhos maiores e capazes o dever de ajudar e amparar os pais que, ‘‘na velhice’’, ficaram sem condições de prover o próprio sustento. A lei é clara: ‘‘(...) até em caráter profissional (...)’’– Fica então uma pergunta no ar: quantos poderão fazer isso sem sacrificar a assistência dos próprios filhos?

mockup