Foi observando o desempenho de idosos que se apresentavam melhor que muitos jovens atletas que o professor e educador físico Sebastião Gobbi, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro (SP), resolveu trabalhar com homens e mulheres na terceira idade. ''Descobrimos que as perdas, principalmente físicas, estão mais relacionadas ao estilo de vida ruim do que o próprio envelhecimento'', comenta.
Desde então, há 23 anos Gobbi se dedica a um trabalho ligado à pesquisa, ensino e extensão com cerca de 300 idosos neurologicamente saudáveis. Os grupos se exercitam três vezes por semana, com a finalidade de entender como a atividade física desenvolve força muscular e como ela ajuda nas atividades do dia a dia. ''As maiores dificuldades do idoso são a independência e autonomia; considerando como independência 'ser capaz de fazer' e autonomia 'decidir quando, como e se é capaz de fazer ou não'. Esses são o bem maior que devem ser preservados com o envelhecimento'', afirma.
E para Gobbi a receita está na prática regular de exercícios físicos. Entre os benefícios, ele aponta um aspecto muito importante: a mudança de comportamento. ''As pessoas passam a aceitar suas perdas e dar boas-vindas aos ganhos'', diz. Já no âmbito da saúde, ele reforça que os exercícios ajudam na prevenção de doenças, na proteção de consequências mais graves, na reabilitação e também no ânimo. ''É um verdadeiro remédio'', salienta o profissional, que esteve em Londrina participando do IV Congresso de Metabolismo, Nutrição e Exercício.
Mas o ponto fundamental da atividade física, de acordo com Gobbi, é a garantia da participação dos idosos naquilo que lhe dão prazer. ''Grande parte da população acima de 60 anos é responsável por domicílio e, portanto, continua ocupando postos de trabalho. Já outros gostam de viajar, sair para dançar, entre outros'', afirma.
Uma boa notícia é que os idosos têm, de fato, se preocupado mais em se exercitar. Porém, ainda há uma parcela considerável de sedentários. De acordo com o educador físico, apenas 30% da população em geral fazem exercícios regularmente nos períodos de lazer. ''Na população idosa, aproximadamente 15% é praticante de atividade regular, mas cerca de 30% pode ser considerada sedentária'', revela.
O que praticar?
Contrariando o pensamento popular, os idosos podem sim praticar qualquer tipo de atividade física, guardadas as devidas proporções e condições de cada um. ''O aspecto principal é que a atividade seja feita de forma muito progressiva e, se possível, com suporte social. Em grupo, a pessoa é incentivada e tudo se torna mais prazeroso'', justifica.
Para dar o primeiro passo, o educador físico recomenda o exercício mais democrático de todos: a caminhada. O ideal é começar com 10 minutos, três vezes por semana, mas se a pessoa tiver condições de praticar cinco vezes com duração de 30 minutos, segundo ele, ''é perfeito''.
A hidroginástica leve e a bicicleta estacionária também são boas opções. ''Além disso, existem as Academias ao Ar Livre (AAL) que devem ser usadas. Mas não começe com muita intensidade. Vá devagar, progredindo na medida do possível para que a prática se torne algo prazeroso'', indica. Outra maneira simples e que pode ser incorporada facilmente na rotina é subir escadas. ''Suba um lance e gradativamente vá aumentando o número de degraus''.
Mas não pense que praticar apenas um exercício trará todos os benefícios que um idoso necessita. Gobbi reforça que no processo de envelhecimento são recomendados exercícios de alongamento, esforço muscular e de condicionamento cardiorrespiratório.
A hidroginástica e aulas de alongamento vão ajudar o indivíduo nas atividades rotineiras como pentear o cabelo, esfregar as costas, amarrar os sapatos ou então alcançar uma xícara. Já os exercícios de esforço muscular, que tracionam o osso para fazer o movimento podem ser obtidos com musculação. ''A parte óssea deve ser trabalhada fora da água. Por isso, o ideal seria alternar hidroginástica com academia'', diz.
Para terminar, o educador ressalta a necessidade de uma atividade aeróbica, como o caminhar e a corrida. ''É necessário para manter a saúde cardiorrespiratória e vascular'', explica Gobbi, ao lembrar que para chegar à condição de praticar duas ou mais atividades paralelamente o processo deve ser gradativo.

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