A maneira mais fácil para encontrar os mais de 400 idosos que integram os grupos de terceira idade mantidos pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) em Londrina não é indo até suas casas. Preocupados em se manter ocupados para conservar a qualidade de vida e ficar longe, bem longe, da solidão, esse pessoal animado lota as dependências da entidade em busca dos mais diversos cursos e atividades oferecidos. E com o objetivo de informar, conscientizar e promover a prevenção da saúde física e mental dessa camada da população, o Sesc-Londrina, está realizando de ontem até amanhã o seu XI Seminário ''A Questão do Envelhecimento'', iniciativa criada em 1988.
Neste ano, como destacou a organizadora do evento Célia Eiko Miyazaki, uma das preocupações foi dar esclarecimentos sobre o Estatuto do Idoso, que ainda não ''pegou'' embora esteja vigorando desde 1º de janeiro deste ano. O palestrante Paulo Roberto Portelo, estudante de direito, esclareceu os principais pontos da legislação, entre eles os direitos fundamentais garantidos; as medidas de proteção ao idoso; as diferentes políticas de atendimento; o acesso à Justiça e os crimes e as punições cabíveis.
Já a gerontóloga e ex-secretária Municipal do Idoso Maria Angela Santini falou sobre a necessidade do idoso brigar para se manter independente, exigindo que seus direitos e desejos sejam respeitados. ''Para viver bem e mais, é preciso ter um projeto próprio de vida'', insistiu.
Tendo um projeto de vida não há solidão que resista, garantiu a psicóloga Maria Eliza de Campos Salles. Ela ressaltou que estar só não deve significar se sentir solitário. ''A solidão é bem diferente de se estar só e curtir isso. A solidão negativa existe em função de pensamentos ruins'', apontou. Maria Eliza destacou que para afastar esse mal e elevar a auto-estima é preciso se manter ativo e participante da vida social.
E foi mantendo-se em atividade que a aposentada Santa Batistão, 84 anos, conseguiu perpetuar o bom humor e a disposição para viajar com os grupos do Sesc por todo o país. ''Eu não fico nunca com solidão. Sou feliz, graças a Deus'', assegurou ela, que frequenta a entidade há 16 anos.
Há mais de 20 anos participando juntos das atividades oferecidas pelo Sesc, o casal Antônio Lambert, 75 anos, e Araci Lambert, 67 anos, também deixou o pijama em casa e não sabe o que é tristeza. Com os filhos e netos já criados, eles agora querem mais é viver a vida. Os dois afirmaram que na companhia dos amigos que fizeram não sentem a discriminação nem percebem o tempo passar. ''Não se vê a semana acabar. Só falta umas camas para todo mundo dormir por aqui mesmo. É uma fonte de alegria'', elogiaram. Eles revelaram que durante as viagens promovidas pela entidade tem espaço até para pequenas estrepolias mais típicas da adolescência, como levar bebida escondida. ''Na praia, a gente fazia umas batidinhas, distribuía para os amigos e tomava dentro da água'', confessou o casal, às gargalhadas.

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