A falta de informação sobre as normas que regulam a manutenção de centrais de GLP (gás de cozinha) está levando estabelecimentos comerciais, industriais e condomínios ao sistema de envasamento domiciliar. O alerta é da Associação Ambientalista Bandeira Verde. A entidade diz que as empresas prestadoras do serviço em Londrina estão enganando as pessoas. ‘‘Sem saber que o sistema oferece sérios riscos, as pessoas acabam fechando contrato acreditando estar regularizando sua situação’’, afirma a coordenadora de projetos do Bandeira Verde, Eliana Souto.
Ela explica que um dos métodos mais usados pelas empresas é a visita ao estabelecimento ou condomínio. Elas levantam as irregularidades da central de GLP e depois enviam ofício ‘‘orientando’’ sobre o que deve ser feito para atender às exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Corpo de Bombeiros. Entre as orientações, está a mudança do sistema padrão para o envasamento domiciliar. Um exemplo citado pela associação ambientalista é o ofício encaminhado pela Ultragás a dois condomínios da Cidade.
No ofício da Ultragás, segundo a coordenadora da associação ambientalista, a empresa deixa claro que está se referindo à regularização de central de GLP, e sugere mudança do sistema comum para o envasamento domiciliar. O cunho oficial, diz Eliana Souto, é evidenciado ainda nos termos ‘‘vistoria’’ - utilizado por quem exerce o poder de fiscalização e autuação - e no anúncio de que são necessárias modificações para entrar nas normas da ABNT e Corpo de Bombeiros.
‘‘Da forma como eles colocam, fica parecendo que a ABNT obriga a implantação do novo sistema. Não é verdade’’, afirma Eliana Souto. A associação ambientalista diz que o envasamento domiciliar não oferece segurança e, em função de acidentes, foi proibido em vários estados.
O perigo, diz a coordenadora, está na hora do envasamento, quando o GLP é transferido do caminhão para o cilindro fixo do estabelecimento. O trabalho é feito por uma mangueira. De acordo com a ambientalista, qualquer vazamento pode resultar em uma explosão de grandes proporções, por causa da proximidade do caminhão que carrega grandes quantidades de GLP. ‘‘É como ter uma bomba pronta para explodir do lado da sua casa.’’
O gerente comercial da Ultragás, ligada à empresa Plenogás, Ruy Costacurta, nega a intenção de induzir o consumidor a acreditar na obrigatoridade da implantação do novo serviço. ‘‘O ofício serve só como orientação. Em nenhum momento obrigamos o cliente a implantar o envasamento domiciliar; apenas oferecemos o serviço.’’
Costacurta diz ainda que o serviço oferecido pela Utragás garante toda a segurança. ‘‘Em caso de vazamento, a válvula que permite a saída de gás do caminhão para a mangueira fecha automaticamente. É um serviço moderno e totalmente seguro’’, garante. Ele admite que outras empresas que oferecem o serviço podem não estar em condições de garantir a mesma segurança.
Segundo a associação Bandeira Verde, no último ano o envasamento domiciliar acabou provocando pelo menos quatro explosões com 10 mortes e pelo menos 36 feridos graves. Explosão ocorrida no dia 22 de fevereiro, em Manaus (AM), matou sete pessoas e feriu 11. O acidente aconteceu no momento em que os cilindros de uma confeitaria estavam sendo reabastecidos.

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