Envasamento de gás gera mais críticas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Célia Baroni 
A falta de informação sobre as normas que regulam a manutenção de centrais de GLP (gás de cozinha) está levando estabelecimentos comerciais, industriais e condomínios ao sistema de envasamento domiciliar. O alerta é da Associação Ambientalista Bandeira Verde. A entidade diz que as empresas prestadoras do serviço em Londrina estão enganando as pessoas. Sem saber que o sistema oferece sérios riscos, as pessoas acabam fechando contrato acreditando estar regularizando sua situação, afirma a coordenadora de projetos do Bandeira Verde, Eliana Souto.
Ela explica que um dos métodos mais usados pelas empresas é a visita ao estabelecimento ou condomínio. Elas levantam as irregularidades da central de GLP e depois enviam ofício orientando sobre o que deve ser feito para atender às exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Corpo de Bombeiros. Entre as orientações, está a mudança do sistema padrão para o envasamento domiciliar. Um exemplo citado pela associação ambientalista é o ofício encaminhado pela Ultragás a dois condomínios da Cidade.
No ofício da Ultragás, segundo a coordenadora da associação ambientalista, a empresa deixa claro que está se referindo à regularização de central de GLP, e sugere mudança do sistema comum para o envasamento domiciliar. O cunho oficial, diz Eliana Souto, é evidenciado ainda nos termos vistoria - utilizado por quem exerce o poder de fiscalização e autuação - e no anúncio de que são necessárias modificações para entrar nas normas da ABNT e Corpo de Bombeiros.
Da forma como eles colocam, fica parecendo que a ABNT obriga a implantação do novo sistema. Não é verdade, afirma Eliana Souto. A associação ambientalista diz que o envasamento domiciliar não oferece segurança e, em função de acidentes, foi proibido em vários estados.
O perigo, diz a coordenadora, está na hora do envasamento, quando o GLP é transferido do caminhão para o cilindro fixo do estabelecimento. O trabalho é feito por uma mangueira. De acordo com a ambientalista, qualquer vazamento pode resultar em uma explosão de grandes proporções, por causa da proximidade do caminhão que carrega grandes quantidades de GLP. É como ter uma bomba pronta para explodir do lado da sua casa.
O gerente comercial da Ultragás, ligada à empresa Plenogás, Ruy Costacurta, nega a intenção de induzir o consumidor a acreditar na obrigatoridade da implantação do novo serviço. O ofício serve só como orientação. Em nenhum momento obrigamos o cliente a implantar o envasamento domiciliar; apenas oferecemos o serviço.
Costacurta diz ainda que o serviço oferecido pela Utragás garante toda a segurança. Em caso de vazamento, a válvula que permite a saída de gás do caminhão para a mangueira fecha automaticamente. É um serviço moderno e totalmente seguro, garante. Ele admite que outras empresas que oferecem o serviço podem não estar em condições de garantir a mesma segurança.
Segundo a associação Bandeira Verde, no último ano o envasamento domiciliar acabou provocando pelo menos quatro explosões com 10 mortes e pelo menos 36 feridos graves. Explosão ocorrida no dia 22 de fevereiro, em Manaus (AM), matou sete pessoas e feriu 11. O acidente aconteceu no momento em que os cilindros de uma confeitaria estavam sendo reabastecidos.


