Crianças costumam fazer xixi na cama com frequência. Além do constrangimento, os pequenos acabam levando bronca dos pais por não terem procurado o banheiro. Contudo, ela não tem culpa por não conseguir controlar a urina. É o que esclarece a nefropediatra Rejane Meneses Bernardes, de Curitiba. Ela explicou que a enurese atinge cerca de 15% das crianças brasileiras com idade acima de cinco anos.
Rejane explica que a perda involuntária da urina pelas crianças, quando estas já deveriam ter obtido o controle, ainda é encarada, por muitos pais, como decorrência de um transtorno psicológico. O que pode tornar tardio o diagnóstico e atrapalhar o sucesso do tratamento. ''Em muitos casos, a enurese é um dos sintomas que podem evidenciar a presença de algum tipo de disfunção da bexiga e que acaba passando despercebida ou demorando para ser diagnosticada.''
A nefropediatra explica que a enurese pode ser classificada como monossintomática ou como um dos sintomas de uma disfunção renal. No primeiro caso, a criança não apresenta nenhum sintoma durante o dia - não faz xixi na roupa, não fica trançando as pernas, nem reclma de dor ao urinar -, mas urinam na cama durante a noite.
Nesses casos, Rejane destaca que a enurese tem origem genética - quando os pais já apresentaram o problema durante a infância, os filhos tendem a apresentar também. ''Quando a mãe foi enurética, a criança tem 40% de chance de ter enurese também. Já quando o pai e a mãe tiveram enurese, a probabilidade de que a criança apresente enurese é de 70%'', informa.
''O nefropediatra, o urologista ou até mesmo o pediatra pode acabar indicando o uso de um alarme enurético, um dispositivo colocado na roupa da criança e que em um determinado horário da noite dispara e faz com que ela vá ao banheiro'', complementa.
Apesar de não ter uma causa única, nem precisa, a médica esclarece que quando a enurese continua mesmo após quatro anos de idade (período da vida em que as crianças já têm continência total da urina), é fundamental que o problema seja bem investigado, pois o descontrole pode revelar disfunções de bexiga com fatores de risco para lesão renal.
Rejane salienta que, neste caso, as crianças geralmente já apresentaram infecção urinária e tendem a fazer xixi não só à noite na cama, mas também ao longo do dia na roupa. Ao urinar, ela também sente dor e está constantemente com o intestino preso. Além disso, a médica destaca que a criança tende a ficar traçando as pernas, pulando e sair correndo para ir ao banheiro. ''Muito pais acham que o comportamento se deve à preguiça de ir ao banheiro, mas na verdade, não é.''
Rejane informa que o tratamento das disfunções de bexiga é realizado por meio de medicamentos que atuam diretamente nos músculos da bexiga, que quando enurética, está constantemente contraindo-se, ou por meio de tratamentos de neuromodulação para melhorar o estímulo nervoso.
Serviço - Mais informações sobre centros que realizam tratamento para enurese no Paraná no www.enureseemfoco.com.br.

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