Entupimento em rede de esgoto põe em risco casa de pedreiro
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Luka Morais 
Londrina
Milton DóriaPreocupaçãoCecílio Gonçalves: improvisações para a casa não cairA família do pedreiro Cecílio Gonçalves, 54 anos, morador na rua Piquiá, no jardim Santa Rita (zona leste), vive um problema sério desde o final do ano passado, quando houve o entupimento da rede de esgoto da Sanepar. A obstrução do canal provocou o retorno do esgoto coletado, que encharcou o terreno onde estava construída a casa de Gonçalves. Resultado: o terreno cedeu e a casa teve que ser demolida.
A Sanepar fez um acordo com o pedreiro, pagando seis meses após a derrubada do imóvel, feita em dezembro, uma indenização no valor de R$ 7,5 mil. Com a ajuda da mulher e das filhas, o pedreiro tratou de erguer outra casa. Mas até hoje arrepende-se do acordo feito. O dinheiro, diz Gonçalves, não foi suficiente para concluir a casa, que tem um cômodo a menos que a anterior. Apenas rebocada, a casa ainda está sem banheiro.
Para poder construir a nova casa, o pedreiro acabou se abrigando provisoriamente no imóvel da frente, também de sua propriedade, e que estava alugado. Mas em julho, a família de Gonçalves reviveu o drama enfrentado com a casa antiga. Tiveram que deixar o imóvel às pressas devido às enormes rachaduras nas paredes.
O entupimento da rede de esgoto voltou a atormentar a família do pedreiro. Para que a parede da casa onde se abrigavam não caísse sobre a que estava sendo erguida, Gonçalves improvisou duas estacas, que seguram as paredes por onde passam barras de ferro retorcido.
Os inquilinos, que pagavam aluguel no valor de R$ 150,00 ao pedreiro, tiveram que procurar outro imóvel. Gonçalves tem salário de R$ 380,00. Ele, a mulher e as duas filhas não tiveram outra saída senão ocupar a casa em construção.
Morando num lugar improvisado, sem a renda da locação do imóvel, o pedreiro reclama do descaso da Sanepar. O engenheiro que veio aqui queria que a gente derrubasse dois cômodos e aproveitasse o resto. Não dá para fazer isso porque a estrutura da casa está toda comprometida, diz o pedreiro.
Conforme Gonçalves, o engenheiro avalia que o repasse de R$ 2,5 mil seria suficiente para resolver o problema. Quero no mínimo mais R$ 7,5 mil, porque tenho que derrubar essa casa e construir outra, diz o pedreiro. Ele se queixa que o engenheiro que o atende sempre está com pressa.
O chefe da Divisão de Manutenção da Sanepar, Francisco Ogama, admite que o problema vivido pelo pedreiro foi causado pela obstrução da rede de esgoto da Sanepar. Ele lembra que foi feito acordo em relação ao imóvel demolido, que previa a reforma da casa, mas o pedreiro optou pela reconstrução. Esse primeiro processo de ressarcimento está concluído.
Já em relação ao problema ocorrido em julho, com a outra casa, Ogama informa que foi aberto processo de ressarcimento que depende de documentação a ser fornecida pelo dono do imóvel. O dono precisa passar os orçamentos para serem estudados.


