Entulhos invadem rua na Zona Norte
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Um tanquinho de roupas, um armário de madeira e um vaso sanitário quebrados encabeçam a lista de materiais abandonados no meio da Rua Raimundo Nonato de Andrade, atrás do Colégio Estadual José Carlos Pinotti, no Jardim dos Pássaros, Zona Norte de Londrina. O local em questão é um grande terreno coberto de mato e poluído também com sobras de galhos, pedaços de madeira, sacos de lixo e restos de material de construção, distribuídos em montes que ultrapassam a guia.
Segundo os vizinhos, o lixo é trazido em carroças, carriolas e até nas mãos das pessoas, moradores ou não. A dona de casa Luzia Ferreira afirma que o abuso diminui quando o terreno está capinado. ''A gente tem medo de reclamar. Depende muito da cara da pessoa'', justifica. Maria da Glória dos Anjos Silva foi intimidada com palavras, mais de uma vez, por queixar-se da atitude. ''Me chamaram de velha gagá e disseram que os galhos continuarão ali porque o terreno é da prefeitura. Sempre que posso, retiro o mato e queimo o lixo na direção da minha casa, mas estou cansada. Logo mudarei daqui'', comenta a mulher.
A diretora da escola, Evelice Maria Bueno, acredita que o lixo é despejado pelos moradores da região ou carroceiros contratados por eles. ''O valor deste serviço é infinitamente menor comparado ao custo dos caçambeiros. Por isso, são mais requisitados. No entanto, os carroceiros deixam a carga em qualquer lugar, sem preocupar-se com o meio ambiente'', supõe.
O Colégio gerencia o projeto de recuperação do fundo de vale do Ribeirão Lindóia há cerca de 10 anos e, desde então, intensifica a sensibilização dos alunos e, consequentemente, da comunidade. Neste período, eles transformaram a margem do curso d'água numa pista de caminhada para as crianças e, dessa forma, estão mantendo a área limpa. Até os carrinheiros auxiliam o projeto. ''Mas, pelo visto, isso não está surtindo o efeito esperado'', admite Evelice.
A justificativa de Delcio Garcia Martin, fiscal da diretoria de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), é a falta de servidores para coibir essa infração ao Código Municipal de Posturas e também à legislação ambiental. Na opinião de Solange Vicentin, promotora de Defesa do Meio Ambiente, qualquer cidadão pode assumir a função, comunicando os órgãos responsáveis (CMTU, IAP e Polícia Florestal) para executarem o flagrante. ''Falta na cidade uma política de resíduos que crie, por exemplo, pontos de transbordo, destinados aos pequenos geradores (galhos, capim, entulhos de construção, etc) e também ação mais efetiva das ONGs ambientais em relação ao assunto'', disse.


