Entulhos em vale revoltam moradores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de abril de 1997
Lúcio Horta 
Josoé de CarvalhoPedras no caminhoCaminhão da AMA despeja grama cortada: moradores do Jardim dos Alpes convivem com sujeira e mau cheiro Apesar da cerca de arame farpado e das placas, colocadas pela Prefeitura, pedindo para a população não jogar lixo, grande parte da área de fundo de vale que fica no Jardim dos Alpes (zona norte) está cheia de cascalho, restos de construções, pedaços de árvores, madeira e até móveis velhos.
Sempre foi sujo assim. Toda hora aparece carro ou caminhão descarregando sujeira. Estes tempos atrás tinha até um cavalo morto jogado no vale e demorou para ser retirado de lá. Já tava fedendo muito, diz o morador João Luiz da Rosa Neto, que mora em frente ao vale.
Rosa Neto conta que o irmão dele, que mora na casa ao lado, já ligou diversas vezes à Prefeitura reclamando da sujeira, mas dicifilmente recebe resposta. Uma vez cortaram o mato, mas foi só. Eles deviam arrumar porque está muito feio. Rosa Neto destaca que a revitalização feita no vale ao lado do Centro Social Urbano, na região, teve um resultado muito positivo. Deveriam fazer aqui também.
O vale dos Alpes é caminho de Benedito Ribeiro, que passa pelo local quase diariamente. Ontem, ele estava apanhando alguns pedaços de madeira para usar como lenha em sua casa e confirmou que a sujeira no local é constante. Sempre foi assim. Tem muito pau de árvore e outras coisas mas não tenho idéia de quem esteja jogando, disse, enquanto amarrava a madeira na garupa da bicicleta.
O superintendente da Autarquia do Meio Ambiente, Nelson Kohatsu, afirma que a Prefeitura tem feito a limpeza do vale e que a sujeira acumulada no local é resultado do desrespeito de algumas pessoas com a população local. Limpei aquilo não faz um mês, coloquei cerca, placas e até guardas em dias alternados para evitar que joguem entulho no vale. É um absurdo o que acontece, revolta-se.
Kohatsu lembra que a maioria das pessoas que joga lixo no local são carroceiros, donos de caminhões que pegam frete e até um ou outro morador desavisado. Estou tentando viabilizar, com a iniciativa privada, material educativo e divulgar os problemas. Vamos tentar, senão fica igual àquela dona-de-casa que limpa a residência numa hora e o pessoal vai sujando na outra, diz.
Outra tentativa de solucionar a questão da sujeira pode passar pelo Legislativo. Sugeri ao Adalberto (Adalberto Pereira da Silva, presidente da Câmara dos Vereadores) para que apresente um projeto de lei prevendo até a prisão a quem sujar a Cidade.
O presidente da AMA lembra que, esta semana, a prefeitura estava fazendo um trabalho de roçagem na região do Autódromo. A grama cortada, segundo ele, está sendo jogada em um dos lados do vale, onde foi aterrado, para recuperar a vegetação - a grama forma uma camada de adubo.
Já em locais onde não há devastação, Kohatsu garante que a Autarquia não joga nem grama roçada e muito menos resíduos de podas de árvores. Isso jamais pode ocorrer. Nós temos uma central de galhos específica para receber esse material.


