Entulho em área particular vira caso de polícia
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Siqueira Campos - Uma montanha de entulho e lixo orgânico depositada em um terreno particular de 36 mil metros quadrados, no final da Rua Benjamin Constant, na Região Central de Siqueira Campos (Norte Pioneiro), está causando muita polêmica. A Polícia Civil, inclusive, instaurou inquérito para investigar se há crime ambiental.
O vereador Arnaldo Ribeiro Luska (PT) acusa a prefeitura de ter despejado, além dos entulhos, outros tipos de lixo no local. ''Muita coisa já foi escondida, está tudo por baixo do entulho, mas se revirar isso aqui vamos encontrar até pneus'', diz Luska. Porém, mesmo sem revirar o lixo, como sugere o vereador, é possível achar restos de móveis, frascos de remédios, garrafas pet, eletrodomésticos e até lixo orgânico.
Por outro lado, o prefeito Luiz Antônio Liechocki (PMDB) acusa o vereador. ''A prefeitura jogou só entulhos para nivelar o terreno. Suspeito que o próprio vereador jogou lixo orgânico lá. Tenho forte desconfiança de que se trata de uma armação. Nós já fizemos o trabalho de tirar o que não é entulho dali. Nunca jogaríamos lixo para ter que tirar depois'', responde.
Questionado sobre qual o motivo da prefeitura realizar benfeitorias em um terreno particular, Liechocki disse apenas que a administração está auxiliando para que uma empresa seja construída no local.
No entanto, a versão de José Aparecido de Carvalho, um dos seis herdeiros da área, é diferente. ''A nossa intenção é vender aquele terreno, inclusive a prefeitura é uma compradora em potencial. Quanto ao entulho, foi feito um acordo com a prefeitura. Eles não tinham onde depositar aqueles restos de construção e nós autorizamos que fossem despejados no terreno, porém, o acordo era para entulho pesado, mas alguns funcionários (da prefeitura) exageraram e jogaram outros tipos de lixo'', explicou.
Enquanto isso, quem sofre é a população e o meio ambiente. Uma parte do lixo já 'escorregou' ladeira abaixo e chegou a um córrego próximo ao terreno. ''O cheiro é muito ruim, além disso, insetos e ratos estão aparecendo por aqui'', disse uma moradora que pediu para não ser identificada. ''Há pouco tempo tinha até peixes nesse córrego, agora só tem sujeira'', completa o vereador Luska.
A denúncia de crime ambiental já chegou à Polícia Civil. O delegado Luís Eduardo Marques disse que já foi instaurado inquérito policial e encaminhado ofício ao Instituto de Criminalística de Londrina para que seja feita uma perícia no local. ''Nós não temos capacidade técnica para dizer qual o grau de poluição que está acontecendo ali, precisamos da perícia para continuar com as investigações.''
De acordo com Daniel Felipetto, chefe do IC, que atende a 93 municípios, a perícia ainda não tem data para ser realizada. ''Provavelmente iremos para Siqueira Campos na próxima semana. Temos apenas dois peritos na área ambiental, sendo que um deles está em férias.''


