Com a entrega de casas do programa federal Minha Casa Minha Vida, vários barracos foram desocupados em fundos de vale e outros locais de Londrina. No entanto, enquanto as atenções se voltam ao novo residencial Vista Bela, os locais antes ocupados por essas famílias estão abandonados. As casas - de madeira ou material - foram demolidas e o entulho continua no local, acumulando água e colocando os vizinhos sob risco de dengue.
Assim está o Jardim Monte Cristo, que fica na Zona Leste, a região que registrou maior número de casos de dengue na cidade no último verão. O aposentado João Liel é morador do bairro e disse que a permanência do entulho no local preocupa. ''As pessoas aproveitam que está abandonado para jogar mais lixo. Além do mau cheiro tem muita água parada'', afirmou.
A apreensão também é constante para a moradora Luzia Ribeiro dos Santos Izidoro. ''O pessoal já está invadindo estas casas demolidas. Tinha que aproveitar este espaço para fazer uma escola ou um posto de saúde'', sugeriu. Situação semelhante pode ser encontrada no Jardim Marieta (Zona Norte), com a diferença que no primeiro caso o terreno cheio de entulho é particular e no segundo caso a área é pública.
Falta recurso
De acordo com João Verçosa, presidente da Cohab, a limpeza do terreno particular cabe ao proprietário. ''Está sendo aprovado um loteamento e a área do Jardim Monte Cristo vai passar a ser pública. O processo ainda depende da aprovação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e do dono do terreno'', explicou. Verçosa disse que a prefeitura não vai limpar o terreno enquanto a área não for transferida para o município.
Apesar de cobrar a limpeza dos proprietários dos terrenos, o próprio município não limpa os terrenos públicos, como é o caso do Jardim Marieta. No local as famílias que moravam em áreas de invasão já estão sendo retiradas há cerca de oito meses, mas Verçosa explicou que a limpeza ainda não foi feita para que outras famílias não ocupem o espaço. ''Tenho acompanhado retirada das famílias, mas não temos orçamento para fazer limpeza dos locais. Não dá para planejar tudo e conseguir dinheiro para tudo'', justificou.
Segundo Verçosa, a Cohab aguarda um plano de recuperação ambiental que está sendo elaborado pela secretaria municipal do Ambiente e será implantado nos fundos de vale que estavam invadidos. ''O plano de recuperação já esta pronto. Em alguns lugares o plantio já foi feito. Estamos aguardando Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização fazer a limpeza dos terrenos para iniciar nos outros pontos'', afirmou o secretário do Ambiente, José Faraco.
A CMTU confirmou por meio da assessoria de imprensa que a responsabilidade pela limpeza das áreas é da Companhia, no entanto ninguém retornou as ligações da FOLHA para falar sobre o assunto.

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