Entulhos, sucata, fogão e automóvel no quintal em estado de completo abandono. Dona Ana (nome fictício), 79 anos, vive sozinha desde que a filha e o marido morreram. O carro que era da filha, falecida há seis anos, está parado ao lado da casa, já deteriorado pelo tempo. ''Não tem ninguém para dirigir. Pensei até em arrumar, mas o molho fica mais caro que o peixe'', brincou.
Com problemas de visão e audição, dona Ana ''cuida'' sozinha da pequena casa de madeira construída em um terreno no centro da cidade, onde mora há 37 anos. Ela sobrevive com a aposentadoria de R$ 240. O acúmulo de objetos nos fundos da casa é um verdadeiro criadouro para o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue. Vizinhos que moram no prédio ao lado estão preocupados e já acionaram a Vigilância Sanitária.
A sujeira se evidenciou depois que as árvores que estavam no quintal foram cortadas. Dona Áurea Maria Bueno, 73 anos, mora no edifício vizinho e ficou assustada com a quantidade de mosquitos que começaram a aparecer na casa dela. ''Depois que derrubaram as árvores deu para ver a sujeira. Com esse tempo de sol e chuva, as larvas se desenvolvem rápido'', observou.
O caso de dona Ana não é isolado. Desde a epidemia de dengue ocorrida no último verão, a Secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária afirmam que agentes fazem vistorias frequentes nas casas.
O gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, informou que nos casos como o de dona Ana, os vizinhos precisam ligar para a Vigilância ou para o disque-dengue (0800-4001893) e explicar a situação. ''Quando a pessoa não tem condições de fazer a limpeza, nós viabilizamos'', garantiu. Viana disse ainda que os agentes da dengue ficam responsáveis por fazer o monitoramento do local. (Fernanda Bressan)

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