Ainda pouquíssimo aproveitado, o entulho de construção gerado em Londrina poderá servir como matéria-prima para fazer ruas e estradas. Um projeto desenvolvido pela Associação dos Transportadores de Entulho de Londrina (Atel), em parceria com a prefeitura, prevê a utilização de parte dos rejeitos despejados diariamente na pedreira do Jardim Ideal (Zona Leste).
Segundo o diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Fábio Reali, um piloto do projeto deve ser testado ainda este mês, em local ainda não definido. ''Estamos discutindo o reaproveitamento desse material em estradas rurais e trechos urbanos de Londrina. A princípio, parece viável'', comentou.
Diariamente, cerca de 500 toneladas de entulho de obras - entre tijolos, argamassa, blocos cerâmicos, gesso, azulejo, aço, madeira e outros materiais - são despejados de caminhões, caçambas, carroças e veículos particulares na pedreira. O presidente da Atel (entidade que representa 10 empresas de caçamba da cidade e gerencia a pedreira), Cláudio Mendes, afirma que hoje quem mais tira proveito do entulho são 20 famílias de recicladores que apanham alumínio, papel e outros itens que não são gerados pelas obras, mas acabam sendo jogados nas caçambas.
''Algumas casas já saíram daqui (por meio de doação de material a projetos sociais), mas infelizmente não há lei determinando o aproveitamento do entulho para construção de casas populares, por exemplo. Uma das únicas formas para torná-lo rentável é processando-o para ser usado em estradas vicinais'', sustenta Mendes.
Segundo ele, além de ser mais viável economicamente, o emprego do material em vias públicas pouparia o meio ambiente, já que a prefeitura deixaria de retirar pedras de morros para produção de moledo. Para o processamento, Mendes calcula que seria necessário adquirir três britadores, equipamentos que custam em torno de R$ 150 mil.
O diretor de desenvolvimento rural da Secretaria Municipal de Agricultura, Osvaldo de Souza Campos Júnior, que participa do projeto, garante que o entulho é apropriado para emprego em ruas. Misturado à terra argilosa, o material mais arenoso ajudaria a evitar o atolamento de veículos. ''A qualidade é boa, depois que você o deixa em estrutura de agregado'', observa o diretor, que pesquisou o assunto em monografia da especialização em Análise Ambiental e Ciências da Terra da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
De acordo com o presidente da Atel, o reaproveitamento do entulho poderia aumentar a vida útil da pedreira em 30%. Usada como aterro de construção civil há sete anos, ela tem aproximadamente mais oito até se esgotar, se o atual ritmo de despejo for mantido. ''É interessante para a cidade que ela dure o máximo possível. Depois, a área será revitalizada'', diz.

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