O policial militar Rosalvo Soto de Amorim, 39 anos, e o ex-agricultor João Pedro, 72, não se conhecem e possuem pouco em comum. Ambos foram selecionados pelo IBGE para serem entrevistados e examinados para a pesquisa Corações do Brasil em Londrina. E para os dois, o projeto serviu como um alerta para que dessem mais atenção à saúde.
Amorim aponta que a mãe é sua parente mais próxima com problemas cardiovasculares: ela sofre de pressão alta. Mesmo com esse histórico familiar e com uma rotina de trabalho estressante, o soldado não se interessava em verificar sua condição cardíaca. ''Nunca tinha feito nenhum exame do tipo até a pesquisa. Quando o médico fez o check up completo, falou que eu estava com os níveis de triglicerídeos alterados'', explica Amorim.
Como resultado, o policial tem procurado mudar hábitos de vida. Reduziu as gorduras na alimentação, que foi reforçada com legumes e frutas. Antes sedentário, Amorim agora realiza por semana duas ou três caminhadas de cerca de uma hora. ''Tem que tomar cuidado'', recomenda.
Já seu João, que tem nove filhos, 16 netos e um bisneto, aguarda o resultado dos exames realizados para a pesquisa para decidir o que deve mudar em seu dia-a-dia. Ele já sofreu alguns sustos: há alguns anos, sentiu tontura quando estava na rua e foi atendido numa farmácia. ''Mediram minha pressão e disseram que eu devia tomar algum remédio. Um tempo depois, fui a um posto de saúde e falaram que não havia problemas'', afirma. ''Mas hoje em dia às vezes sinto o coração batendo meio fraco, ou disparando''.
Na dúvida, seu João tenta manter hábitos saudáveis. Procura fazer exercícios e faz refeições leves: arroz, feijão, salada e pouca carne. ''Mas todo dia tomo duas ou três cervejas. Pinga não. No máximo uma bicadinha para matar lombriga'', ri o ex-agricultor, que recebe auxílio-idoso porque não conseguiu comprovar anos de serviço para se aposentar.

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