Entrega de remédios vencidos
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terça-feira, 10 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba Um projeto de lei prevendo que postos de saúde municipais e estaduais recebam entregas voluntárias de medicamentos fora do prazo de validade foi aprovado na Assembleia Legislativa, na semana passada. De autoria do deputado estadual Caíto Quintana (PMDB), a medida entrará em vigor após a sanção do governador.
Quintana justifica que a população em geral precisa acabar com o hábito de guardar remédios após o término do tratamento. A ideia é lembrar a comunidade que remédios guardados em casa oferecem sérios riscos à saúde, argumentou no texto do projeto.
Ele alerta sobre os riscos de intoxicação medicamentosa, um problema de saúde pública alertado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e os riscos ao meio ambiente, já que o descarte sem cuidados pode contaminar os rios. Além disso, temos que pensar nos catadores que, ao manusear os lixos domésticos, podem pegar aquele medicamento vencido para usar em casa, afirma Quintana.
Laboratórios
Segundo o deputado, os postos de saúde seriam apenas os intermediários, o ponto de entrega, já que a responsabilidade pela destinação correta dos remédios fora de validade são dos laboratórios que os produzem. A medida, portanto, não deve significar ônus para os postos de recebimento.
Junto com a sanção do governador que, de acordo com Quintana, deve sair em aproximadamente 15 dias o deputado diz que será necessário um investimento em divulgação para atingir o público-alvo da medida, o consumidor final. Não é só a pessoa física, a jurídica também pode levar os remédios vencidos nos postos. A única exigência é que eles sejam entregues em embalagens ou urnas lacradas.
Para o presidente do Conselho Regional das Farmácias, Paulo Roberto Ribeiro Diniz, o projeto de lei contempla a melhor solução para esse problema. É o caminho certo para que o material não seja destinado individualmente. Hoje já melhoramos muito nesse aspecto, com a determinação da Anvisa (Agência Nacional de Saúde) para que as farmácias tenham um programa de descarte de lixo hospitalar, onde se encaixam os remédios. Agora o consumidor final também irá colaborar para o descarte responsável, explica.
Já o secretário estadual do Meio Ambiente, Rasca Rodrigues, critica a iniciativa. É obrigação do fabricante montar uma logística reversa para recolher o medicamento. Se o Estado substitui essa logística, ele beneficia o poluidor. E, de uma forma ou outra, isso implica em custos como o espaço público, o servidor público e os mecanismos de armazenamento ideal. Sou a favor de o Estado buscar uma solução em conjunto com as empresas, não se responsabilizar totalmente, explica.


