Entre um sorvete e outro... jornais e livros
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de setembro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
''Ler Para Ser''. O slogan do projeto Folha Cidadania, da FOLHA DE LONDRINA, saiu das páginas do jornal e foi parar nas estantes de uma sorveteria no município de Cidade Gaúcha (80 km a nordeste de Umuarama). A idéia de chamar a atenção das pessoas para o hábito da leitura partiu da proprietária da Sorveteria Abelhinha, Flávia Carrard Schwerz, 65 anos, depois que um freguês assíduo não encontrou o jornal para ler num domingo, como fazia todas as semanas.
A iniciativa deu tão certo que os moradores consideram o local um ponto de encontro cultural, onde é possível passar horas agradáveis com familiares e amigos. A novidade chamou ainda mais a atenção de crianças e adolescentes, que buscam gibis e livros infantis entre os 500 títulos reunidos na biblioteca.
Com 13 anos de idade, o estudante da 8 série Everton Paschoal Antoniel é um frequentador assíduo da sorveteria e sua ida até o local é motivada mais pelos livros do que pelos sorvetes. Além das edições de Harry Potter, ele gosta de ler a FOLHA. ''Eu gosto daquela parte de Mundo, em que a gente fica sabendo dos países do Oriente Médio'', comenta o adolescente, que quer prestar vestibular para Medicina.
A sorveteria virou ponto de encontro para os alunos da Escola Municipal Dom Bosco que se destacam nas atividades realizadas em sala de aula. Segundo a professora Rosenai Tonell, quem tira nota boa ganha um passeio com direito a sorteve. ''Eles adoram. Costumam pegar os livros mais coloridos, com imagens, mas também têm alguns alunos que buscam livros grandes, que costumam dizer que são os que têm mais letrinhas'', comenta.
Ana Clara Pereira Cardoso, 8, é uma das que gostam dos ''livros grandões'', como diz. ''Eu também gosto de ler jornal, mas não consigo ler inteiro'', diz, sorrindo. O colega de Ana, Murilo Saldanha dos Santos, 9, gosta dos gibis, e confessa que ainda prefere o sorvete aos livros. ''Eu gosto de sentar aqui e ficar tomando sorvete, daí eu levo um livro pra casa'', comenta. Já Tauana Estevão Santa Rosa, 8, afirma que prefere ler do que tomar sorvete. ''Eu leio de tudo um pouco e sempre acabo levando um pra casa emprestado'', comenta.
Professora aposentada, a proprietária da sorveteria revela que o número de sorvetes vendidos aumentou depois da instalação da biblioteca, há alguns meses. Mas ela garante que seu principal objetivo sempre foi o de estimular a leitura entre os moradores. ''Eu já assinava a FOLHA há uns dois anos e percebi que o freguês ficou muito chateado no dia que chegou aqui e não encontrou o jornal. Então imaginei que seria uma boa idéia disponibilizar jornais e revistas para as pessoas lerem.''
Segundo Flávia Schwerz, todos aderiram à idéia e começaram a fazer doações. ''Acho importante porque na cidade não tem nenhuma livraria e só contávamos com a Biblioteca Municipal. Hoje em dia até estudantes universitários acabam vindo aqui fazer pesquisa e a gente fica muito feliz com isso'', comemora.


