Entre Rios inicia luta pela emancipação
Luiz Carlos Dias Júnior
De Guarapuava
Especial para a Folha
Os mais de 92 mil eleitores de Guarapuava devem participar do plebiscito para a emancipação ou não do distrito de Entre Rios (20 km ao sul de Guarapuava) até o final deste ano. A informação é do integrante da Comissão Emancipacionista 2000, Édio Sander. Caso o plebiscito seja aprovado, a votação será facultativa.
A comissão espera que a população de Guarapuava vote favorável à emancipação, já que é uma reivindicação de várias entidades representativas e dos próprios moradores do distrito, que já realizaram uma série de abaixo-assinados. A primeira eleição para prefeito e composição da Câmara deverá acontecer junto com os demais municípios do País, no próximo ano.
Se for confirmada a emancipação de Entre Rios, Guarapuava deixará de arrecadar 15,91% somente de ICMS, o que totaliza R$ 1,8 milhão. A maior parte deste dinheiro é proveniente da Cooperativa Agrária, uma das maiores da América Latina. A Agrária agrega várias agroindústrias, entre elas, a Agromalte, uma das maiores maltarias do Brasil, moinho de trigo, fábrica de rações. Já a Coopersul, também da Agrária, industrializa óleos vegetais.
Segundo Sander, as colônias Vitória, Jordãozinho, Samambaia, Socorro e Cachoeira têm juntas aproximadamente 12 mil habitantes e 5 mil eleitores. Querem a independência para levar adiante vários projetos e resolver problemas conjuntamente. A Colônia Vitória deve ser a sede do futuro município.
Temos todos os tipos de problemas igual a uma cidade, mas somos tratados como moradores da zona rural, afirmou Sander. Não estamos insatisfeitos com a administração municipal, mas Entre Rios necessita gerenciar seu próprios recursos e tentar resolver suas questões de forma independente.
O projeto de emancipação de Entre Rios já está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia Legislativa do Paraná e a expectativa é que vá a plenário para votação logo após o recesso parlamentar. Outro motivo que está levando os moradores a ser favoráveis à emancipação é o fato de não terem representatividade política, tanto na Assembléia Legislativa quanto na Câmara de Guarapuava. Estamos cansados de promessas de campanha, disse Sander.
De acordo com a emenda constitucional nº 15, de 12 de setembro de 1996, para ser emancipado, o distrito deve ter população mínima de 5 mil habitantes. A lei prevê a realização de plebiscito com eleitores de todo o município-mãe, e não mais somente da área a ser desmembrada como era antes.





