Entre o caos e a novidade
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quarta-feira, 06 de julho de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Marialva Em Marialva (Noroeste), o banco virou caminhão. Pelos próximos meses, o atendimento aos usuários da Caixa Econômica Federal será feito em uma unidade móvel. A situação inusitada se dá pela audácia dos bandidos, que literalmente botaram abaixo a única agência do banco que havia na cidade, no dia 10 de junho. Em uma ação cinematográfica que deixou rastros de insegurança pelo pequeno município, eles usaram fuzis para invadir o local e maçaricos para explodir um cofre, gerando um incêndio de grandes proporções.
Enquanto a agência é reerguida, o que não há previsão para terminar, será assim: o banco ficará instalado na Praça Ruth Lemuchi Castilho, em frente à Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima. O atendimento na "nova unidade" começou no último dia 29. Foi a saída encontrada para resolver a queixa dos moradores, que ficaram cerca de duas semanas sem uma agência da Caixa.
A microempresária Maria José Teodoro ficou surpresa quando chegou ao local. "Diferente, né?" Mas o que mais importa para ela é o fim de uma série de transtornos que foi obrigada a enfrentar para realizar alguns serviços bancários simples. "Nos últimos dias tive que ir a Sarandi (distante cerca de 10 km) e é um caos, porque é uma cidade diferente, além do tempo para ir até lá, a gente não sabe direito onde fica o banco. Pelo menos agora, não precisamos mais fazer isso", destacou.
A unidade móvel é uma agência reduzida do banco. A carroceria instalada em Marialva conta com um caixa eletrônico, dois caixas normais para pagamento de contas e outros dois guichês para os demais atendimentos. O ambiente é climatizado e há cadeiras para os usuários se acomodarem enquanto aguardam sua vez.
No total, são 9 unidades espalhadas pelo país e elas são utilizadas em situações de emergência, como a que ocorreu em Marialva, em alagamentos ou volume extra de folhas de pagamentos, por exemplo. "Nesse caso o caminhão faz todos os serviços que a Caixa disponibiliza, não há limitação. É uma agência completa, só que em espaço reduzido", resumiu o gerente regional da Caixa, Paulo Pereira Marinho. Segundo ele, a previsão é de que um quiosque com mais dois caixas eletrônicos seja instalada na mesma praça em até 15 dias para aliviar o fluxo na agência provisória.
Desde a sua "inauguração", a unidade tem realizado entre 150 e 180 atendimentos diários. "O trabalho é um pouquinho mais demorado, o rapaz me disse que o sistema fica um pouco mais lento, mas é normal. Temos que ter paciência também. A gente espera que as coisas possam melhorar", avaliou a professora aposentada Leonides Seron.
A aposentada Odete de Oliveira Ramos queixou-se de insegurança. Como o caminhão não comporta um número muito grande de usuários, a fila obrigatoriamente é formada do lado de fora, o que, segundo ela, acaba deixando os usuários expostos à ação de bandidos. "É complicado porque todo mundo sabe que a gente está esperando para ir ao banco. Ainda mais em semana de pagamento. Eu mesmo vim cedo receber e fiquei com receio de ficar aqui, porque estava estava bem vazio", contou. O gerente da Caixa reforça que há dois seguranças na área interna, mas que a responsabilidade de proteção externa é da Polícia Militar.
Além da unidade móvel, que funciona de segunda à sexta, das 10 às 15 horas, as agências de Sarandi também estão atendendo aos clientes do município afetado. Segundo a Caixa, a população também tem a opção de buscar as lotéricas e correspondentes bancários para pagamento de contas de água, luz, tributos, boletos de cobrança, prestação de habitação, saques de conta corrente como também receber benefícios sociais, como bolsa família, seguro desemprego e FGTS, dentre outros serviços.


