Entre guarda-chuvas, celulares e documentos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Imagine qual teria sido o desespero do senhor que passou pelo Terminal Rodoviário de Londrina e perdeu uma carteira contendo quase R$ 3 mil. Agora pense na felicidade da pessoa que encontrou isso tudo. Como a consciência é a fiscal das ações, quando ela pesa algo não está correto. Foi isso que aconteceu com a pessoa que encontrou a carteira com o dinheiro. Ela pegou e chegou a levar para casa, em uma cidade próxima a Londrina. Depois de três dias decidiu devolver tudo à seção de achados e perdidos do Terminal e o objeto foi entregue ao dono. Perder carteiras com tanto dinheiro não é comum. Mas a perda de objetos, principalmente em pontos de grande movimento, é algo rotineiro e que pode acontecer com qualquer um.
''Quanto mais sacolas mais chance de perder alguma delas'', explica o superintendente da Terminal Rodoviário de Londrina, Edney Garcia de Carvalho. Segundo ele, também quanto maior o fluxo de pessoas pelo Terminal mais objetos são perdidos. ''Natal, Carnaval e vestibular são as épocas em que se perdem mais coisas'', conta. Em meses sem festividades são encontrados dois objetos perdidos por semana, contabiliza.
No Terminal Rodoviário circulam várias pessoas e muitas histórias. Robson Assis trabalha no local há 16 anos e conhece fatos curiosos que envolvem objetos perdidos. Assis lembra que uma vez encontrou um Laptop e uma agenda em cima de um telefone público. O nome do dono estava escrito na agenda. O rapaz foi chamado pelo sistema de som. Alguns instantes depois, o dono apareceu. ''Ele estava apavorado'', lembra Assis.
No Aeroporto de Londrina é pouco comum a perda de objetos e, quando acontece, são logo procurados pelos donos, relata o coordenador de operações de segurança, George Freitas. Sacolas, guarda-chuvas e celulares estão entre os objetos esquecidos com mais facilidade, comenta.
Tanto o aeroporto quanto o Terminal Rodoviário de Londrina possuem serviço gratuito de achados e perdidos. Nos dois locais a maioria dos pertences é encontrada pelos funcionários. Depois de recolhidos os objetos são registrados em um livro. Nesse caderno fica anotado desde o dia em que o bem foi encontrado e o local onde ele estava. Na hora de devolver os objetos, os donos precisam descrever com detalhes o bem para que os funcionários responsáveis pelo serviço tenham certeza de que é o dono.
Na Rodoviária, se os objetos não são procurados em até 120 dias, acabam sendo doados para instituições de caridade. No caso do Aeroporto, os pertences esquecidos vão para a Justiça Federal, depois de três meses.
Muitos pacotes para carregar também é o que interfere na rotina dos consumidores que vão até uma grande loja de departamentos em Londrina. Segundo o gerente do estabelecimento, Carlos Roberto de Júlio, os funcionários da empresa encontram até cinco pertences por semana esquecidos na loja. Objetos de pequeno valor são os mais frequentes e vão desde sacolas com compras a brinquedos de crianças, além de escovas de cabelo e guarda-chuvas. ''O provador feminino é o campeão em objetos perdidos,'' fala. Segundo ele, tudo o que é encontrado fica a disposição dos clientes, mas poucos retornam para reaver o que perderam. Após seis meses os objetos são doados para instituições de caridade.
Serviço: No Terminal Rodoviário o serviço de achados e perdidos funciona das 8 às 12 horase das 13 às 17h30. No Aeroporto, o serviço funciona 24 horas, mas o coordenador do serviço orienta que os passageiros procurem o serviço no horário comercial. O serviço de documentos perdidos da agência central dos Correios funciona das 9 às 17 horas. Para retirar algum documento a pessoa precisa pagar a taxa de R$ 3.


