Cambé - A proximidade tão ruidosa quanto perigosa da linha férrea e escolas de Cambé (Norte do Estado) provocou nesta semana um trágico acidente que matou duas alunas do Colégio Estadual Olavo Bilac. Mas afora esta unidade, estudantes de pelo menos outras duas escolas estaduais da cidade precisam transpor o obstáculo diariamente. Sem alternativa, os pais vivem o dilema de ter que garantir a educação dos filhos mesmo tendo que deixá-los expostos aos riscos.
O acidente registrado no pátio de manobras da América Latina Logística (ALL) provocou a morte das estudantes da 6 série, Renata Clemente Viana, 11 anos, e Brenda Stábile, 12. No final da tarde de terça-feira, elas tentavam atravessar a linha por entre os vagões, se desequilibraram e cairam na linha. Renata morreu no local. Brenda chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
A doméstica Patrícia Alves de Oliveira, 32, tem dois filhos (de 7 e 10 anos) matriculados no Olavo Bilac e reclama que os trens costumam realizar manobras no pátio onde aconteceu o acidente justamente quando os alunos do ensino fundamental estão chegando ou saindo das aulas. ''As crianças esperam um pouco mas quando demora muito acabam pulando por entre os vagões'', afirma.
Sem ter como levar os filhos para a escola, ela paga R$ 15 para uma vizinha acompanhá-los. Margarete Sella, 41, comerciante que também tem dois filhos no Olavo Bilac, pede mais ações educativas que orientem as crianças sobre os perigos, ''já que uma solução definitiva é quase impossível''.
Boa parte dos estudantes do Colégio Estadual Érico Veríssimo (cerca de mil alunos) e do Dr. Leopoldino Ferreira (393 alunos matriculados) também enfrentam a linha férrea todos os dias, assim como dezenas de idosos do Grupo de Centro de Convivência da Terceira Idade Celino Lipênio.
A diretora do Colégio Olavo Bilac, Maria Zenaide Mazzei de Santana, está há 18 anos no cargo e informa que a última palestra educativa promovida pela América Latina Logística ''aconteceu há mais de 10 anos''. A própria escola acabou assumindo esse papel. A diretora alerta que é preciso orientar os alunos também sobre os riscos do trânsito no entorno da escola, que é intenso e tão ou mais perigoso que a linha férrea.
A presidente da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF) da escola, Sandra Regina Costa Ceballos, adiantou que os pais irão pedir a intermediação da Câmara Municipal para agendar uma audiência com o presidente da ALL, Wilson Ferro de Lara, para discutir medidas para melhorar a segurança na vizinhança da linha férrea. ''O grande problema é o trem parar para manobrar bem no centro da cidade. Se ele só passasse praticamente não traria problema nenhum'', comenta.

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