O Hospital Universitário (HU) proíbe a entrada de produtos alimentícios e pede aos visitantes e parentes que conversem com as nutricionistas antes de darem qualquer tipo comida aos pacientes. "Não sabemos como esse alimento foi preparado e como foi transportado até o hospital. Também existe o risco do alimento influenciar na patologia do paciente. Sempre que um parente pede para trazer alguma coisa, orientamos que conversem com as nutricionistas", explica Margarete Andrade, chefe da divisão de internação do HU.
Apesar da proibição, a regra nem sempre é obedecida. No horário de visitação é comum ver visitantes com sacolas de mercado entrando na unidade. Os funcionários da portaria orientam que não pode entrar com alimento, mas nem sempre são atendidos. "As pessoas entram com comida escondida. Falamos que não pode e se a pessoa concordar, guardamos o alimento até ela voltar da visita. Mas todo dia tem gente entrando com comida", conta um dos funcionários.
Ele diz que já flagraram pessoas levando até feijoada para os pacientes. "É perigoso, por causa do risco de bactérias. Eles acham que estão fazendo um agrado para o paciente, mas estão colocando em risco a saúde dele", comenta.
O pintor Carlos Alberto Ferreira, de 29 anos, foi visitar o cunhado que se recupera de um atropelamento e levou um achocolatado para ele e um pacote de salgadinho para a sogra, que está como acompanhante, mas ao ser orientado pelos funcionários que não poderia entrar com os produtos deixou tudo na portaria. "Acho válida a proibição se o alimento vai prejudicar o paciente", diz Ferreira.
Mas nem todos pensam assim. Edson Donaire, de 44 anos, não concorda com a norma. "Se a pessoa não está com restrição alimentar, não vejo problema. Às vezes, a pessoa quer comer algo diferente", afirma. Ele levou bolacha e refrigerante para o filho, que se recupera de uma cirurgia no braço. Donaire diz que desconhecia a regra do hospital e que vai respeitá-la a partir de agora.
O professor de educação física Eduardo Sérgio Silva, de 37 anos, também foi orientado a deixar a sacola com alimentos na portaria, mas disse que a comida era para o acompanhante e não para o paciente. Ele também não concorda com a norma da unidade. "É muito ruim, as vezes o paciente não come a comida do hospital", justifica.(A.M.P.)

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