A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem a redação final do projeto de lei nº 114/2004, de autoria do Executivo, que autorizou repasse de R$ 138 mil para a readequação do Planetário da cidade e de R$ 60 mil para a Associação de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Científico de Londrina (Adeccil). Para que esse crédito total fosse aberto, foram anulados 12 repasses que estavam previstos no orçamento municipal destes, dez eram destinados a entidades de caráter social, como centros de educação e associações assistenciais.
O projeto inicial previa apenas o repasse para o Planetário, mas o Executivo apresentou substitutivo no qual requisitava também a autorização da transferência para a Adeccil. O que causou indignação em alguns vereadores é que não existe relação entre o Planetário e a associação, o que torna inusitado que um substitutivo de um projeto de lei que beneficia o primeiro vise destinação de recursos para o segundo.
''O Executivo tem que parar de achar que passar projeto na Câmara é que nem passar roupa'', ironizou a vereadora Sandra Graça (PDT), a única que se absteve na votação da redação final. Leonilso Jaqueta (PMDB) sugeriu que as entidades que estavam com repasses previstos fossem avisadas de que não receberiam mais o dinheiro devido à aprovação do projeto.
O líder do Executivo na Câmara, Nélson Cardoso (PT), citou que alguns dos repasses anulados continham vícios de iniciativa, já que eram oriundos de emendas propostas por vereadores e que deveriam ter partido do Executivo. O vereador disse que não enxergou nada de ''estranho'' no fato de que o substitutivo beneficiou uma entidade que não tem nenhuma relação com o projeto de lei inicial. ''O Executivo elabora seus substitutivos conforme a necessidade'', afirmou. O secretário Municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva, não foi localizado para comentar o assunto.
A Adeccil tem convênio com a prefeitura desde 1997 e atende atualmente cerca de 300 adolescentes em situação de risco do Jardim Santa Rita (Zona Oeste) e bairros vizinhos. ''Não acho que as outras entidades não merecem, mas o dinheiro da prefeitura é praticamente a única ajuda que temos'', comentou a presidente da Adeccil, Genane Aparecida Ribeiro.
Alguns representantes de entidades prejudicadas pelo projeto já se mobilizam. Júpiter Villoz Silveira, presidente da Casa do Caminho (que teve anulada uma verba de R$ 20 mil), disse que várias entidades assistenciais estão criando uma associação representativa. ''Chorar sozinho não adianta'', comentou. Clarice Pereira Lima, diretora-secretária do Grupo de Apoio ao Paciente com Câncer (Gapacan), que também perdeu o repasse de R$ 20 mil, afirmou que irá procurar o prefeito. ''É sempre complicado conseguir recursos. Acabamos cansando a comunidade de tanto pedir'', disse ela.

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