Entidades sociais repudiam corte de verbas pela União
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Osmani Costa 
Dezenas de representantes de entidades assistenciais e membros do Conselho Municipal de Assistência Social estiveram reunidos na prefeitura de Londrina, na tarde de ontem, para protestar e organizar formas de resistência contra o corte de verbas promovido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) no setor desde janeiro.
Os representantes das 48 entidades - creches, asilos e que atendem portadores de deficiências - foram recebidos pela secretária municipal de Ação Social, Marisa Goethel do Nascimento, e aprovaram um documento de repúdio aos cortes, de 34,52%, praticados pelo governo federal no repasse das verbas mensais. Além de ser enviado ao MPAS, ao governador Jaime Lerner (PFL), e a deputados estaduais e federais paranaenses, o texto será entregue ao vice-presidente Marco Maciel (PFL) amanhã, quando ele estará em Londrina participando de um seminário sobre agronegócios.
Paulo WolfgangItamar Alves, do Fórum das EntidadesSegundo informações dos representantes das entidades assistenciais, a verba mensal repassada pelo MPAS foi baixada, de surpresa, de R$ 91.189,51, em novembro do ano passado, para R$ 59.703,82 em janeiro. O dinheiro de dezembro não foi repassado, e praticamente já perdemos a esperança de recebê-lo. O governo simplesmente informou que não tinha mais recursos disponíveis no orçamento de 98, afirma a presidente do Fórum das Entidades Assistenciais de Londrina, Itamar Kedma Helene Alves.
De acordo com ela, as 42 creches da cidade atendem atualmente 5.410 crianças e só recebem o repasse relativo a 3.799. Além deste acerto, esperávamos do governo federal para este ano um reajuste no valor destinado a cada criança. Mas, infelizmente, o que estamos tendo é uma piora muito grande numa situação que já era difícil, comenta Itamar Alves, que é também presidente da Creche Menino Jesus, na Vila Isabel (zona norte).
No ano passado, o MPAS repassou R$ 17,02 mensais para cada criança atendida em creche. As entidades reivindicavam um reajuste para R$ 60,00. Com o corte nas verbas federais, este valor foi reduzido para R$ 11,16. O valor do repasse para a manutenção mensal de um idoso baixou de R$ 4,05 para R$ 2,80. A verba mensal para a assistência a um portador de deficiência caiu de R$ 18,92 para R$ 12,28.
Este corte é significativo, drástico e causa apreensão entre as entidades assistenciais e seus beneficiados. O país está em crise, e a área social é sempre a primeira a ser atingida pelo governo federal. Isto tem que mudar, reclama a secretária Marisa do Nascimento. Ela informa ainda que a prefeitura, em contrapartida ao corte das verbas federais, aumentará o repasse mensal às entidades de R$ 235.000,00 para R$ 363.000,00, o que equivale a 54,7%. Ainda não é o ideal, mas estamos fazendo a nossa parte.


