A prisão de três estelionatários que arregimentavam menores para coletar doações para entidades assistenciais inexistentes trouxe à tona a discussão sobre o destino do dinheiro arrecadado. Em Curitiba, ao contrário do que poderia se esperar, com uma redução significativa do movimento de doações, aconteceu justamente o contrário.
Este é o caso, pelo menos, da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Curitiba, (Apae), que mantém um serviço de telemarketing para coletar doações. ‘‘Na verdade, essa discussão sobre os donativos acaba sendo boa para as instituições sérias, que já são conhecidas e têm o respeito da população’’, afirma o gerente de telemarketing da Apae-Curitiba, Orley Boçon. Segundo ele, a partir do momento em que a população começa a ser informada de que existem pessoas mal intencionadas, há uma procura maior pelas instituições sérias. ‘‘O movimento acaba se concentrando nas entidades mais antigas e conhecidas da população, porque as pessoas continuam dispostas a ajudar’’, diz ele, Boçon comanda uma equipe de 20 operadoras de telemarketing, que telefonam para a residência das pessoas solicitando auxílio para as 700 crianças assistidas pela entidade na cidade.

BairroPara a delegada do 4º Distrito Policial, Valéria Padovani de Souza, que na semana passada comandou a prisão dos estelionatários, a população pode continuar ajudando as entidades, mas deve evitar atender a pessoas que pedem donativos nos sinaleiros. ‘‘Na rua, esperando o sinal abrir, as pessoas são levadas pela emoção e não têm como verificar a idoneidade dessas entidades’’, comenta a delegada. Segundo ela, a melhor alternativa para quem quer ajudar é procurar associações comunitárias no próprio bairro onde moram. ‘‘A comunidade do bairro com certeza conhece melhor as pessoas e sabe para onde vai esse dinheiro doado’’, diz a delegada.
O titular da Delegacia de Estelionatos da Capital, Hamilton da Paz, informa que a polícia não tem registro de novas denúncias contra quadrilhas especializadas em arrecadar donativos. ‘‘Mas com certeza existem outras’’, admite ele. Segundo o delegado, as pessoas que quiserem fazer doações podem fazê-lo também com cestas-básicas, roupas ou remédios. ‘‘Se a doação for em dinheiro, deve ser feita diretamente para a entidade e nunca para pessoas na rua, porque se alguém está arrecadando deve ter alguém ganhando uma porcentagem’’, alerta o delegado.
Para a Apae, é fundamental que as doações sejam acompanhadas de recibo, identificando a entidade beneficiada e permitindo a dedução no Imposto de Renda. ‘‘Além disso, convidamos as pessoas para vir conhecer o nosso trabalho, para que não haja dúvidas sobre sua seriedade. A melhor maneira de não ser enganado é conhecer a instituição para quem se está doando’’, diz Orley Boçon.Marcelo AlmeidaOrlei Boçon no serviço de telemarketing: Apae recebeu mais doações depois da prisão de estelionatáriosEledovino Bassetto Junior

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