As entidades assistenciais de Londrina ameaçam suspender o atendimento à comunidade carente se a prefeitura não conseguir regularizar o repasse de recursos, que vem sendo feito em duas parcelas mensais.
O atraso foi discutido ontem à tarde durante reunião na Supercreche, centro da cidade, com representantes de 115 entidades que dependem de verbas municipais.
Segundo a presidente do Fórum das Entidades Assistenciais para a Criança e Adolescente Itamar Kedma Helene Alves, os representantes das entidades querem discutir esse atraso com o prefeito Jorge Scaff (PSB) e o secretário de Fazenda Jair Gravena, que ontem confirmou à Folha estar deixando o cargo (leia texto nas páginas de Política). ‘‘A gente vai parar se não houver uma posição da prefeitura’’, garantiu Itamar.
A presidente do Fórum das Entidades disse que o prazo para esse encontro é amanhã. ‘‘Não temos condições de continuar trabalhando recebendo somente a metade dos recursos. Temos funcionários para pagar e quem não recebe não trabalha como deve’’, desabafou.
De acordo com a presidente do Fórum, a falta de dinheiro prejudica 20 mil pessoas que dependem da rede formada pelas entidades. São 6 mil crianças somente no segmento creches.
O secretário municipal de Ação Social José Dorival Perez, que também está deixando a função, que ele acumula com a Secretaria de Educação, foi encarregado de marcar a reunião com o prefeito Jorge Scaff.
Ontem, no final da tarde, Perez afirmou que estava no gabinete do prefeito esperando para falar sobre o problema. ‘‘Vou transmitir o pedido e vamos ver se a reunião é aceita. Também tenho que ver essa questão com o secretário de Fazenda, que está saindo’’, comentou.
O secretário Jair Gravena explicou que neste mês o repasse às entidades conveniadas com a prefeitura chega à R$ 404 mil e metade desse valor foi pago no dia 16.
O pagamento do restante depende da arrecadação de impostos municipais como o Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ‘‘Se tudo correr bem e os contribuintes pagarem os impostos, no dia dois ou dia três pagaremos o restante’’, avaliou.
Para o mês de agosto a situação não é diferente. ‘‘Também dependemos da arrecadação, podemos pagar em dia ou nem pagar os 50%’’, adiantou Jair Gravena.
Ontem o secretário garantiu o pagamento para os mais de dois mil funcionários da Frente de Trabalho da prefeitura (cerca de R$ 700 mil) e disse ainda que o repasse de R$ 400 mil à Câmara estava acertado.
O pagamento dos servidores municipais, que deve ser feito até o dia 31, permance condicionado à arrecadação de impostos. O secretário de Fazenda pondera que não há como fazer empréstimos porque a capacidade de endividamento do Município está esgostada. Segundo ele, a Lei de Responsabilidade Fiscal e o período eleitoral também impedem a prefeitura de fazer empréstimos.

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