Entidades recrutam famílias interessadas em invadir áreas
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaLiderançaPresidente da CMP, Anselmo Schwertner, coordena o cadastramento das famílias: aptidãoA Central de Movimentos Populares (CMP) de Foz do Iguaçu e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretendem cadastrar mil famílias até a próxima semana para invadir áreas ociosas na região Oeste do Estado. As duas entidades estão formando lideranças do movimento na periferia da cidade.
O cadastramento feito em Foz faz renascer o movimento de sem-terra na região e conta inclusive com o apoio da Igreja Católica. As duas entidades montaram grande esquema de cadastramento de pessoas interessadas na reforma agrária, principalmente desempregados.
Em oito dias, cerca de 400 famílias foram fichadas nos 16 pontos de cadastramento na cidade. A intenção, segundo o presidente da CMP, Anselmo Schwertner, é selecionar famílias com aptidão pelo trabalho no campo e convidá-las para lutar pela reforma agrária.
A CMP e o MST têm feito reuniões a portas fechadas com as famílias cadastradas. Semana passada, na paróquia São Francisco, no bairro Morumbi 2, as lideranças do movimento se reuniram com as famílias cadastradas e, segundo uma pessoa presente no encontro, foi prometido que todos receberiam terra.
Esta semana, a reportagem da Folha não teve acesso à sala do Sindicato dos Comerciários (filiado à CUT), onde aconteceu outra reunião. Segundo Schwertner, o encontro serviu para realizar treinamentos e seleção de líderes entre as famílias cadastradas. Nós só podemos adiantar que estamos pedindo que as famílias façam um bom estoque de comida e providenciem lonas, disse Schwertner.
O perfil dos cadastrados, segundo os líderes, é de desempregados e brasiguaios (brasileiros que trabalham na lavoura no Paraguai), que decidiram voltar ao País e se fixaram em Foz.
De acordo com Shwertner, o movimento está conscientizando as famílias para, depois, traçar estratégias de ocupação. Na opinião dele, a única alternativa para acabar com a fome, a miséria e o desemprego é por meio da reforma agrária. Um levantamento da CMP aponta que existem cerca de 35 mil desempregados em Foz, dos quais 10% vieram do campo.
PressãoAs famílias cadastradas pela CMP e o MST planejavam protestar hoje, durante a abertura dos Jogos Mundiais da Natureza. A manifestação começará na frente do Aeroporto Internacional, no desembarque do presidente Fernando Henrique Cardoso, e se concentrará ao longo da Avenida das Cataratas.
Além dessas famílias, o MST deve reforçar a mobilização com os sem-terra que estão acampados na faixa entre a BR-277 e a Fazenda Mitacoré, entre São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu.
O bispo dom Olívio Fazza - conhecido por sua atuação conservadora dentro da Igreja Católica -, disse que autorizou as paróquias a cadastrar famílias de desempregados interessadas na reforma agrária. Porém, pediu cautela e que a reforma agrária seja feita com princípios. Segundo dom Fazza, o cadastramento feito com o apoio da Igreja vai servir para conhecer a atual realidade de Foz. Houve um esvaziamento forçado do campo para a cidade. Agora, é hora de se fazer a rota inversa, defende o bispo.


