Entidades ligadas ao setor de construção civil, arquitetura e urbanismo de Londrina estão preocupadas com os efeitos do Plano Diretor, aprovado pela Câmara de Vereadores no início deste mês. Ontem, eles entregaram ao prefeito Antonio Belinati a carta Em defesa de Londrina em que exigem que o Legislativo respeite a avaliação do Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU) e retire de pauta todo projeto que não passar pela análise técnica do Conselho.
‘‘Se o Legislativo continuar aprovando projetos de mudança de área sem nenhum critério o Plano Diretor vai perder o sentido para o qual foi criado’’, argumentou o presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Edgard Marin. O Ceal integra o Conselho Municipal de Planejamento Urbano (CMPU) juntamente com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi), Câmara Municipal, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), Universidade Norte do Paraná (Unopar), Instituto Brasileiro de Arquitetura e Associação Paranaense de Proteção Especial do Meio Ambiente.
A emenda ao plano apresentada pelo vereador Salvador Francisco (PSDB) propondo que a avaliação do CPMU fosse definitiva para aprovação ou não dos projetos apresentados ao Legislativo foi rejeitada. A Comissão de Justiça da Câmara alegou que a emenda feria a soberania da Câmara. O Plano Diretor já foi sancionado e está em fase de regulamentação.
‘‘Sem este compromisso com a viabilidade técnica e o interesse da cidade como um todo, não há como fazer qualquer tipo de planejamento da cidade. O prejuízo fica com a população e o poder público que não vai ter como prever investimentos. A cidade vai continuar sendo uma colcha de retalhos’’, defendeu o presidente do Secovi, Márcio Strini.
As entidades citaram como exemplo a aprovação de mudança de zoneamento de duas áreas: uma área na Avenida Madre Leônia Milito que passou de zona eminentemente residencial (ZR4), para essencialmente comercial (ZC2) - região central - e outra na Gleba Lindóia (região sul) que foi transformada em zona residencial. Os dois projetos tiveram parecer contrário do Ippul.
As entidades propuseram ao prefeito que o Executivo elabore um novo projeto tornando definitivo o parecer do CPMU ou o veto ao artigo 8 do Plano Diretor. Belinati se comprometeu a elaborar um novo projeto em contato com as entidades. ‘‘Compreendo a preocupação das entidades. Já estive no Legislativo e nunca apresentei projetos de zoneamento. Mas vou precisar do apoio das entidades para que este projeto encontre respaldo na Câmara’’, frisou.
Além do Ceal e do Secovi, participaram da reunião com Belinati o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte); UEL; Cesulon; Sociedade Rural do Paraná; Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB); Sindicato Rural de Londrina e Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina. As entidades vão se reunir novamente com o prefeito para a elaboração final do projeto que deverá ser encaminhado à Câmara em regime de urgência.

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