Entidades querem impedir vestibular de Medicina
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Médica do Paraná (AMP) querem impedir a Faculdade Assis Gurgacz (FAG), de Cascavel, de realizar o vestibular do recém aprovado curso de Medicina. O processo seletivo está marcado para o próximo domingo, dia 24. A iniciativa faz parte da ofensiva das entidades contra a abertura de novos cursos de Medicina no País, ''que não atendam critérios mínimos de qualidade''.
Em coletiva, na manhã de ontem, os presidentes da AMB, José Luiz Gomes do Amaral, e da AMP, José Fernando Macedo, anunciaram que acionarão os departamentos jurídicos das entidades para ingressar com medidas judiciais, na tentativa de cancelar o vestibular da FAG, ''até que o curso seja comprovadamente validado segundo os critérios médicos''.
''Para que seja considerada qualificada, uma faculdade precisa ter um hospital próprio, oferta de vagas de residência médica, unidades ambulatorial e de emergência, centros cirúrgico e obstétrico e profissionais comprovadamente experientes na Medicina, para que possam formar médicos altamente capacitados'', afirmou Amaral. ''Não se trata de sermos contra a criação de novos cursos. Somos contra a baixa qualificação'', completou Macedo.
As entidades sustentam, ainda, que não haveria necessidade social de mais cursos de Medicina no Paraná ou no Brasil. ''Atualmente, o País conta com mais de 320 mil médicos, número por habitante próximo ao registrado nos países desenvolvidos e muito acima das possibilidades do sistema de saúde brasileiro absorvê-los'', avaliou Amaral. Segundo Macedo, foram abertas 100 faculdades de Medicina nos últimos 10 anos. ''Ou por conotação política ou por interesse financeiro'', criticou.
O diretor-geral da FAG, Sérgio De Angelis, assegurou que o projeto do curso de Medicina da instituição passou por uma rigorosa avaliação pelo MEC e obteve nota máxima. ''Cabe ao MEC (Ministério da Educação) avaliar a qualidade de condições de oferta de todos os cursos, inclusive, os de medicina'', afirmou ele, defendendo que o curso proposto pela FAG tem o proprósito de atender uma demanda da região, que seria deficitária na área médico-hospitalar.
De Angelis lembrou que a FAG tem outros nove cursos na área médica - entre eles farmácia, fisioterapia, enfermagem e fonoaudiologia - e que a estrutura básica e de laboratórios já existente atenderá as necessidades do curso de Medicina. Sobre o hospital escola, o diretor informou que estará em funcionamento até o terceiro ano do curso, conforme previsto no projeto aprovado pelo MEC.
A portaria do Ministério da Educação (MEC), aprovando o curso da FAG foi publicado em Diário Oficial no último dia 6. A FAG oferecerá 40 vagas anuais e as aulas iniciam no dia 2 de março, em turno integral.
A FOLHA fez contato com a Secretaria de Ensino Superior (Sesu) do MEC, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.


