Curitiba A Associação e o Sindicato de Delegados de Polícia (Adepol e Sidepol) prometem ajuizar uma reclamação contra o governo Requião junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) assim que sejam indicados os sargentos e subtenentes que irão assumir funções administrativas em 170 delegacias do Interior. A decisão foi tomada em uma assembléia realizada ontem em Curitiba com representantes de entidades de classe da Polícia Civil.
Os delegados acreditam que o decreto do governador Roberto Requião, que autoriza policiais militares a assumirem funções em delegacias do Interior, equivale à volta dos delegados calças-curtas, ou seja, indicados politicamente, não concursados. ''Se fosse necessário ocupar as delegacias, o governo poderia ter escolhido entre as centenas de investigadores e escrivães formados em direito que poderiam responder pelos municípios'', alegou a presidente do Sidepol, Valéria Padovani de Souza.
Valéria afirmou também que o comparecimento à assembléia poderia ter implicações para os policiais presentes. ''Há um clima de perseguição no ar. Como eu tenho imunidade sindical, não posso ser transferida, mas um policial de minha confiança, que trabalhou comigo seis anos, foi transferido para Mallet sem uma justificativa plausível. Quando não atacam quem critica a política de segurança, atacam pessoas ligadas a elas'', disparou Valéria.
De acordo com a presidente do Sidepol, muitos policiais têm recorrido à Justiça para impedir a transferência para outros municípios. Até o momento, pelo menos três policiais conseguiram liminares na Justiça impedindo sua transferência, embora a Justiça ainda não tenha se pronunciado definitivamente sobre o caso.
O delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, disse ontem que o governo vai tentar cassar as liminares na Justiça. Segundo ele, as transferência não têm qualquer conotação política. ''Ninguém está perseguindo ninguém. Primeiro vem a sociedade, depois o interesse individual.'' Adauto disse que determinou 170 remoções ao todo e que as liminares obtidas não afetam o plano do governo, de reforçar regiões desprovidas de segurança. O Paraná tem hoje 4,3 mil policiais civis na ativa.

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