Treze entidades londrinenses - entre elas a Acil, Sociedade Rural, Sinduscon, Clube de Engenharia e OAB - poderão entrar na Justiça, na próxima semana, para exigir o cumprimento do convênio assinado em agosto de 1996, garantindo ampliação e melhorias no aeroporto local. O acordo foi firmado entre a prefeitura de Londrina e a Infraero.
Segundo o advogado e empresário David Dequech Neto, muitos problemas atuais do aeroporto teriam sido resolvidos se o convênio, que tem cronograma de 36 meses, tivesse sido respeitado pelas duas partes. ‘‘Muita coisa deixou de ser feita; o processo de revitalização do aeroporto está muito devagar e o cronograma de obras bastante atrasado. A responsabilidade pelos prejuízos causados aos usuários é, sem dúvida, da prefeitura e da Infraero.’’
Segundo o empresário, que coordena uma comissão de advogados que estuda o caso, as 13 entidades poderão entrar na Justiça com uma ação civil pública ou uma interpelação através da Promotoria de Defesa do Consumidor, que também tem participado das reuniões e tem interesse em solucionar o problema de cancelamentos e atrasos de vôos.
A definição da medida legal é cabível sairá até terça-feira. ‘‘Poderemos ainda acionar a Câmara, porque tirou da pauta de votação o projeto de lei sobre a doação de áreas necessárias à ampliação e instalação de novos equipamentos de segurança no aeroporto’’, afirma David Dequech Neto, que é também piloto de avião e ex-presidente do Aeroclube de Londrina.
‘‘Há um jogo de empurra-empurra entre a prefeitura e a Infraero. Vamos buscar isto através da Justiça’’, diz Dequech. Ele lembra que o convênio previa a ampliação da pista, a compra de um equipamento ILS, o remanejamento da área onde está instalado o VOR, a duplicação da Avenida Santos Dumont, ampliação e readequação do saguão de embarque. ‘‘Por enquanto, parece que a única obra que fizeram lá foi o estacionamento privado, talvez porque signifique a entrada de dinheiro.’’
O superintendente da Infraero, Lourival Briana, garante que o cronograma das obras pela empresa está sendo cumprido. ‘‘Se houve algum atraso, foi consequência do não-cumprimento da prefeitura na desapropriação e doação das áreas para ampliação do aeroporto ainda sequer aprovadas pela Câmara.’’
A reportagem da Folha não conseguiu localizar o secretário de governo municipal, Gino Azzolini, no início da noite. Mas foi informada de que ele se reunirá, na manhã de hoje, com outros secretários para tratar da questão do aeroporto e do projeto de lei do Executivo - que desapropria e doa áreas ao Ministério da Aeronáutica -, recentemente tirada da pauta de votação na Câmara.

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