Falta de verbas, indisciplina e descaso da sociedade são alguns dos problemas enfrentados por três das entidades londrinenses que cuidam de crianças e adolescentes. Juntas, a Escola Profissional de Londrina (Epesmel), Guarda Mirim e Liga dos Engraxates tiram das ruas aproximadamente duas mil crianças e adolescentes, mas correm o risco de ter suas portas fechadas principalmente por falta de apoio dos órgãos públicos. Atualmente estas entidades vivem basicamente da boa-vontade da iniciativa privada.
A Epesmel, com 28 anos de atuação em Londrina, é a maior das três entidades. Com cinco projetos em andamento, atende os menores com programas de inserção no mercado de trabalho (os conhecidos fiscais de Zona Azul), profissionalização, pré-profissionalização, cursos para menores aprendizes e o projeto Murialdo, para menores infratores. Segundo o diretor da escola, padre Lídio Roman, a entidade está hoje em sua maior fase, atendendo quase 1,5 mil crianças e adolescentes.
Um contrato de gestão firmado com a prefeitura garante à Epesmel o repasse de parte das verbas necessárias para a manutenção do projeto. O restante ''a maior parte'', segundo o padre provém de doações e da iniciativa privada, além de promoções, festas e pequenos serviços prestados pela entidade. ''Gastamos em média R$ 70 por menor, ao mês, quando o ideal seria pelo menos R$ 80'', afirma o diretor.
Segundo Roman, a oferta dos cursos profissionalizantes aos menores é o que mais onera o orçamento da Epesmel. ''Pagamento de técnicos e compra de materiais são os problemas'', afirma. O aluguel da casa onde funciona um dos projetos e o pagamento de assistentes sociais e psicólogos também são parte das despesas. ''Trabalhamos no limite do nosso orçamento, não podemos contar com imprevistos''.
A Liga de Engraxates vive situação ainda pior. Está presente em Londrina há 37 anos e já atendeu mais de 100 menores de uma só vez, organizando os serviços prestados geralmente no Calçadão e servindo almoço a crianças e adolescentes. Hoje, são 38 jovens com idade entre 14 e 18 anos, lutando para manter seus empregos. Após a determinação da Procuradoria do Trabalho, que proibiu que menores de 16 anos exerçam uma profissão, a Liga perdeu o apoio da prefeitura e corre para regularizar sua situação. ''Não podemos fazer mais quase nada pelos menores. Oferecemos almoço, que é custeado pela Arquidiocese de Londrina, e organizamos seus serviços'', conta Nery Cândido da Silva, presidente da Liga.
Cursos, uma das principais exigências dos menores da Liga, são oferecidos esporadicamente, segundo Silva. ''Não temos faturamento. Só conseguimos ministrar algum curso quando órgãos como o Sebrae ou Sesi nos oferecem gratuitamente'', lamenta o presidente da Liga.
Segundo Silva, a Liga de Engraxates corre sérios riscos de fechamento. ''Muita gente já lavou as mãos, não se importa mais. E funcionários da entidade, todos voluntários, têm outras coisas para fazer, não podem se dedicar à Liga como ela precisa.''

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