Lúcio Horta
De Londrina
Representantes da Subseção de Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sociedade Rural do Paraná, Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Igreja Católica estiveram reunidos ontem de manhã, no Fórum, com o promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Eles foram manifestar apoio às investigações que o Ministério Público realiza em contratos da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
O presidente em exercício da subseção local da OAB e organizador do encontro, Lauro Fernando Zanetti, informou que as entidades se colocaram à disposição para ajudar o Ministério Público. ‘‘Vamos colocar um rol de advogados para acompanhar as investigações’’, afirmou. Ele adiantou que as entidades vão definir ‘‘ações políticas’’, incluindo a cobrança de um posicionamento dos vereadores sobre as denúncias.
Além de Zanetti, estiveram presentes o arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin; o presidente da Sociedade Rural, Francisco Galli; o diretor-presidente do Sinduscon, Clóvis Souza Coelho; e o presidente da Acil, Valter Orsi, entre outros.
Dom Albano Cavallin avaliou que os indícios de irregularidades são ‘‘graves’’ e devem ser tratados com atenção. ‘‘Mais do que o dinheiro, vale a honestidade, a justiça e o respeito aos pequenos. Penso nas creches, nos hospitais que sofrem até para comprar uma agulha descartável. E com os vários milhões de reais seria possível pagar tudo isso.’’
O arcebispo destacou ainda que é preciso haver coerência entre a fé e a vida profissional. Ele completou: ‘‘Não sou político. Sou cidadão e religioso e falo com os meus irmãos católicos. Não abusem no exercício de seu cargo. Porque isso desmerece a religião e até mesmo a Jesus.’’
O presidente da Acil, Valter Orsi, disse que as denúncias apuradas pelo Ministério Público ‘‘envolvem dinheiro público e é importante que os fatos sejam trazidos à tona’’. Francisco Galli concordou: ‘‘Existem indícios de irregularidades. Por isso apoiamos o trabalho do Ministério Público.’’ Clóvis Coelho, do Sinduscon, comentou que é ‘‘triste’’ ver empresas da área de engenharia envolvidas, ainda que não sejam da cidade ou filiadas ao sindicato.
O promotor Cláudio Esteves disse ser fundamental ter o respaldo da sociedade. Ele destacou, porém, que todas as manifestações realizadas até agora, em favor das investigações, só ocorreram por causa do trabalho do Ministério Público. ‘‘Nos sentimos lisonjeados com esse apoio, que é um exercício muito forte de cidadania. Mas não partiu desse apoio a iniciativa das investigações. Elas ocorreriam mesmo sem o apoio’’, assegurou.

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