Uma passagem da Bíblia conta que um pastor de ovelhas, certa vez, optou por retornar para salvar apenas uma ovelha do rebanho, que havia ficado presa na mata, a abandoná-la à própria sorte. Este é o pensamento que norteia o trabalho da organização não-governamental Associação Cristã Missionária Redenção e outras entidades de Londrina.
O público atendido é abrangente, mas todos têm um traço em comum: a exclusão social. Presos e ex-detentos, prostitutas, travestis, integrantes de diferentes tribos urbanas, como punks, skinheads, hippies recebem algum tipo de apoio. A estratégia é envolver-se com os grupos em vez de tentar apenas o discurso.
A meta, explica o voluntário Mário César Carvalho Pinto, 45 anos, é resgatar o homem na integralidade dele, de acordo com princípios da corrente Teologia da Libertação. Com o trabalho nas ruas e carceragens, várias batalhas foram vencidas, apesar de os reveses serem mais numerosos.
Os voluntários visitam as famílias em casa, tentam resolver pendências entre viciados e traficantes, viabilizar atendimento médico para drogados, prostitutas e travestis. Carvalho Pinto chega a rodar 300 quilômetros por semana de jog para tentar ''resgatar pelo menos uma ovelha do rebanho.''
''O testemunho é passado quando passamos a viver a realidade deles. De cada dez que não conseguimos resgatar, só um nós conseguimos. Muitos morreram, voltaram para as drogas, para a prostituição, para a cadeia. Mesmo assim vale a pena'', garante Carvalho Pinto, que é formado em teologia e história e está estudando direito.
Para ele, a ONG poderia fazer muito mais. Por causa da falta de dinheiro, a recuperação de diversos casos fica inviabilizada. Além do apoio da Igreja Presbiteriana Independente, alguns empresários da cidade colaboram com dinheiro. O recurso é usado para pagar aluguel e luz da sede, na Rua da Lapa, 359.
Carvalho Pinto explica que o trabalho funciona em rede, com apoio de outras ONGs, como as associações Refúgio e Reviver. A Refúgio, por exemplo, mantém uma casa de pós-recuperação. Conta com apoio da Comunidade Nova Aliança e do Presbitério Grande Londrina. ''É uma troca. Quando uma ONG precisa, a outra ajuda'', destaca um dos responsáveis pela Refúgio, Márcio de Carvalho, conhecido como Coiote.
Um exemplo prático de ''cliente das ONGs'' é o caso de uma jovem que, depois de anos na prostituição, teve oportunidade de mudar de vida e iniciar tratamento médico de graça. Por falta de dinheiro para o passe de ônibus, voltou a se prostituir e consumir drogas. Quanto custaria salvar esta vida? Cerca de R$ 15,00 por mês.
Serviço Quem quiser ajudar o trabalho das ONGs pode entrar em contato com o voluntário Mário César Carvalho Pinto pelo telefone (43) 9992-3539.

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