O conceito de defesa dos interesses da comunidade está mudando nas associações de moradores. O jeito de fazer política não está mais restrito aos pedidos de melhorias na infra-estrutura do bairro. A criação de projetos sociais é uma das novas estratégias para aproximar a entidade de seus representados em Curitiba.
O estudante Felipe Gonçalves Dinamarquês, 11 anos, quer se tornar um mestre de capoeira, a graduação mais alta que um atleta pode conquistar. Graças ao patrocínio da Associação de Moradores da Vila São Pedro, Felipe aprimora seus conhecimentos junto com outras 24 crianças entre seis e 13 anos de idade que não poderiam pagar aulas numa academia.
As rodas de capoeira são encaradas como um apoio da educação familiar. ‘‘Elas (crianças) vão crescer sem deturpações na cabeça e vão poder executar o método de julgar e agir com mais facilidade’’, acredita Valdir Pereira, do conselho comunitário da associação.
Um dos primeiros resultados alcançados na Vila São Pedro foi a integração dos alunos. ‘‘Eles aprendem a respeitar os outros’’, diz o professor de capoeira, Marcos Roberto de Oliveira. A estudante Caroline Avelar Pauli, 12 anos, afirma que as aulas de educação física na escola não dão a mesma satisfação que ela sente quando ‘‘joga’’ capoeira com os colegas.
Alto-astral também é o que produz o grupo folclórico Ternura, criado há seis anos na Associação de Moradores do Conjunto Parigot de Souza. Todos os finais de semana os associados se reúnem para dançar músicas tradicionalistas da cultura gaúcha.
O casal de aposentados Constantino, 74 anos, e Eulina Lourenço, 61 anos, encontrou no baile da associação um remédio contra a falta de vontade para continuar vivendo. ‘‘Mudou tudo na minha vida, principalmente a saúde. Agora é só alegria’’, diz Eulina. ‘‘Isso aqui é uma irmandade. O que eu não aprendi em 70 anos, estou aprendendo agora’’, emenda Constantino.
O presidente da associação de moradores, Luiz Carlos Ansay, diz que as entidades que representam os bairros precisam innvestir em duas gerações distintas. ‘‘O maior trabalho está na criança e na terceira idade’’, opina.

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