Entidades esperavam ações mais concretas
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Lucilia Okamura 
Desrespeito com Londrina por não trazer soluções concretas para os problemas emergenciais. Esta é a principal crítica ao secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, feita por lideranças ouvidas pela Folha. O secretário foi embora ontem depois de ficar dois dias na cidade falando sobre propostas do governo para a área de segurança e visitando alguns órgãos públicos.
Na semana passada, em entrevista à Folha, Oliveira disse que viria a Londrina trazendo soluções e respostas para, pelo menos, a curto prazo minimizar os problemas mais urgentes de segurança. Esta afirmação criou uma expectativa na comunidade de que ele teria propostas concretas sobre a construção da Cadeia Pública, que está paralisada; soluções para a falta de investigadores; e para os problemas no Instituto Médico Legal (IML), que está atendendo a população externa apenas no período da manhã e suspendeu os serviços no setor de toxicologia por falta de pessoal.
O mínimo que queríamos ouvir dele era: a Cadeia Pública será inaugurada em tal dia, ressaltou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi. Ele falou que não sabe quando as obras serão retomadas. É como se não tivesse falado nada, criticou o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH) e da Comissão de Justiça e Assuntos Comunitário da OAB, Carlos Scalassara.
Ele lembrou que, enquanto a cadeia não é construída para desafogar os distritos policiais, os detentos continuam em situação desumana e degradante. A obra teve início ano passado na zona sul, mas está praticamente parada. O terreno foi doado pela Loteadora Ferrari que chegou a ameaçar tomá-lo de volta caso o governo não iniciasse as obras. O sócio-proprietário da loteadora, Paulo Ferrari, disse que, por enquanto, não se cogita esta possibilidade novamente. Mas a expectativa é de que a cadeia fique pronta o mais rápido possível.
Sobre a falta de investigadores, Scalassara disse que a explicação sobre o concurso não convenceu - investigadores e escrivães aprovados terão de passar ainda pela escola de polícia antes de viram para a cidade. Londrina não pode esperar tanto tempo. Ele poderia fazer um remanejamento para atender a cidade, sugeriu.
O presidente da Acil ouviu o discurso do secretário sobre o projeto Paraná Mais Segurança, feito anteontem na prefeitura, e disse ter gostado das propostas. Mas afirmou estar temeroso porque trata-se de um projeto macro que só trará resultados a longo e médio prazos. Se o Governo não consegue dar continuidade a uma obra como a Cadeia Pública, que já tem projeto e verbas, imagine a um projeto a longo prazo?
Edgar Campos de Souza, do Conselho de Entidades do Jardim União da Vitória (zona sul), considerou que a visita do secretário deixou a desejar. Foi uma falta de respeito com a comunidade, resumiu. Na sua opinião, a população tem que se mobilizar e tomar uma atitude mais incisiva contra o Governo. Se o povo não cobrar, este descaso vai continuar.


