Entidades em crise
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de outubro de 2010
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Entidades que atendem crianças com necessidades especiais em Londrina enfrentam crise financeira e de gestão. Na Associação dos Pais e Amigos de Excepcionais (Apae), pais e funcionários denunciam atraso no pagamento dos profissionais que prestam atendimento clínico e falta de transparência na prestação de contas da atual diretoria.
A Associação Flávia Cristina, localizada na Zona Norte, enfrenta problema parecido. Nesta semana, pais e funcionários denunciaram ao Ministério Público a não prestação de contas e exigiram participação no processo eleitoral. Na APS-Down, a crise é motivada pela falta de recursos.
A fonoaudióloga Ana Carla Sitta, que presta atendimento na Apae, ainda não recebeu parte do salário de agosto. Além do atraso, há irregularidades no depósito do Fundo de Garantia. ''Esssa situação vem ocorrendo há dois anos. Foram várias as vezes que assinamos holerites com data atrasada'', revelou.
Segundo ela, os funcionários que recebem com atraso são os contratados diretamente pela entidade, que deveria pagá-los com recursos repassados pelo SUS. ''Os trabalhadores pagos diretamente pelo Estado e pela Prefeitura não enfrentam o problema'', disse.
Outra reclamação diz respeito à falta de materiais para atendimento clínico e pedagógico. Sem condições de realizar os procedimentos, muitos profissionais acabam levando materiais próprios para conseguir trabalhar. ''Isso gera desmotivação. Além de não recebermos, não temos estrutura para desenvolver nossas atividades profissionais'', afirmou.
Mãe de aluno, a aposentada Mitsuko Onishi concorda com a reclamação da fonoaudióloga e teme pelo atendimento prestado ao filho. ''Como vamos cobrar qualidade se os funcionários não recebem direito? O maior prejudicado acaba sendo o aluno.''
A funcionária pública estadual Lindamir Pedron Milesi, que tem um filho na Apae, denuncia que a atual diretoria não realizou, em 2010, a assembleia anual para prestação de contas. ''É um processo previsto no estatuto'', afirmou. Na noite de ontem, pais, funcionários e diretoria reuniriam-se para discutir a prestação de contas e o processo eleitoral para a próxima gestão. A reportagem tentou contato com a diretoria da entidade, mas não houve retorno às ligações.
O secretário municipal de Saúde Agajan Der Bedrossian afirmou que o problema não está no repasse feito pelo SUS e que o depósito tem sido feito todos os meses. ''Existe uma pequena oscilação mês a mês porque dependemos de um repasse federal, mas nada que afete o funcionamento das instituições''.
Já sobre uma solução para o problema o secretário informou que embora a situação seja preocupante, não há como intervir. ''É algo que nos preocupa, mas não podemos fazer nada além do que temos feito até porque interferir seria ilegal''.
A FOLHA procurou os representantes das Federações Regional e Estadual, que respondem pelas instituições, mas nenhum deles foi localizado.


