Prestes a entrar no inverno na próxima sexta-feira (20), Londrina vem seguindo o padrão do Paraná e registrando baixas temperaturas no termômetro há semanas. Com o clima gelado em todas as horas do dia, entidades londrinenses estão arrecadando roupas de frio e cobertores para manter os grupos que atendem aquecidos.

A reportagem entrou em contato com quatro entidades, mas são inúmeras as instituições de Londrina que necessitam de ajuda da população para manter seus acolhidos aquecidos, com o auxílio se tornando mais necessário à medida que as temperaturas caem.

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IDOSOS

O Lar dos Vovôs e das Vovozinhas, localizado na Vila Nova, região central, oferece assistência 24h e moradia para 65 idosos. Fundada em 1953, a instituição é uma das pioneiras em Londrina, com equipe capacitada nas áreas de enfermagem, psicologia, serviço social, nutrição e fisioterapia. São ofertados vestuário, cinco refeições por dia e higienização.

Para garantir o bom atendimento aos moradores, a ONG (Organização sem Fins Lucrativos) sempre aceita doações de fraldas geriátricas, com preferência pelos tamanhos maiores - G, XG e XXG -, alimentos não perecíveis, como leite, café e bolacha doce, produtos de higiene pessoal, como sabonete líquido e hidratantes corporais, e produtos de limpeza.

Com a chegada da estação mais fria do ano, Juliana Pereira, psicóloga da entidade, reforçou a necessidade de roupas de inverno e cobertas, pois “é comum pessoas idosas sentirem mais frio por conta das mudanças fisiológicas no corpo”. As vagas no espaço são, majoritariamente, preenchidas por meio da Secretária Municipal do Idoso. “É necessário entrar em contato com ela e sinalizar o interesse na vaga, eles realizam uma triagem, e quando a família se enquadra nos critérios, é colocada em uma lista de espera”, elencou.

Os donativos são aceitos todos os dias da semana na Rua Araguaia, 589 e Cabo Verde, 95, ambas no centro, preferencialmente de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

O Lar dos Vovôs e das Vovozinhas oferece assistência 24h e moradia para 65 idosos
O Lar dos Vovôs e das Vovozinhas oferece assistência 24h e moradia para 65 idosos | Foto: Divulgação

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Outra instituição sem fins lucrativos que busca itens de vestuário para o inverno é o Nuselon (Núcleo Social Evangélico de Londrina), que atende crianças e adolescentes de até 18 anos em situação de vulnerabilidade, risco pessoal e social desde 1978. Com cinco unidades de acolhimento, sendo quatro casas na zona oeste e uma na leste, os menores de idade são encaminhados por decisão da Vara da Infância e Juventude, quando se encontram afastados do convívio familiar.

Os 50 acolhidos são contemplados com moradia integral e alimentação, além de acompanhamento com assistentes sociais e cuidadores. Os atendimentos médicos, odontológicos e psicológicos são feitos por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), da ajuda de voluntários e de um programa solidário de uma cooperativa privada.

A entidade é uma OSC (Organização da Sociedade Civil) que recebe recursos da Prefeitura, mas que necessita de ajuda para manter a prestação de atendimentos. “As doações de roupas, utensílios domésticos e móveis são essenciais. Os itens que não usamos nos abrigos são direcionados para o Bazar Nuselon”, pontuou Regieli Dias, responsável pela gestão de suprimentos.

Dias ressaltou que as crianças e adolescentes “chegam sem nada e precisam de roupas e calçados, e quando são recebidas pela família substituta ou de origem, levam tudo o que elas têm, é delas, e a próxima criança vem sem nada de novo. Precisamos do fluxo de doação de roupas, independente do tamanho, para poder atendê-las”.

Os donativos são recebidos na Rua Benjamin Franklin, 23, região oeste, de segunda à sexta, das 08 às 16h.

Imagem ilustrativa da imagem Entidades de Londrina precisam de roupas de frio para vulneráveis
| Foto: Heloísa Gonçalves

IMIGRANTES

Também credenciada pela Prefeitura, a Cáritas Arquidiocesana de Londrina, fundada em 1996, é parceira da Secretaria de Assistência Social com o programa de atendimento a imigrantes, refugiados e apátridas.

Os estrangeiros recebem auxílio na realização e encaminhamento das documentações necessárias para a sua permanência no Brasil para a Polícia Federal, “também as exigidas para seu cadastro no município”, explicou Fabricia Pigaiani, coordenadora da entidade. “Realizamos oficinas, feiras de empregabilidade, integração com a sociedade, atividades de autocuidado, saúde mental e bem estar e a escola de português aos sábados”, listou.

As doações recebidas contemplam os imigrantes e famílias atendidas nos demais projetos. Com reforço para roupas de inverno e cobertores, a coordenadora também pede alimentos, sapatos, móveis, colchões e eletrodomésticos.

Imigrantes de mais de 40 nacionalidades já passaram por atendimento na Cáritas, com destaque para a Venezuela, Colômbia, Haiti, Cuba e Argentina. Nelson Jeudy, articulador de projetos da entidade, é haitiano e chegou ao país em 2016. Seu primeiro contato com a instituição se deu três anos depois, quando um conterrâneo recém-chegado ao Brasil, que não falava português, precisou de ajuda da Cáritas com sua documentação e de Nelson para traduzir o pedido.

O haitiano Nelson Jeudy chegou ao Brasil em 2016 e hoje é articulador de projetos da Cáritas
O haitiano Nelson Jeudy chegou ao Brasil em 2016 e hoje é articulador de projetos da Cáritas | Foto: Heloísa Gonçalves

Em 2022, procurou a organização novamente para se candidatar a sua vaga atual, e já auxiliou centenas de pessoas a garantirem sua permanência no país, assim como seu amigo foi ajudado nove anos atrás. “É uma sensação boa”, considerou Jeudy.

O endereço para entrega dos donativos é Rua Dom Bosco, 145, zona oeste, de segunda a sexta, das 8h às 17h30. O agendamento para que uma equipe busque as doações deve ser feito pelo (43) 99994-0720.

SITUAÇÃO DE RUA

A Missão Casa Verde acolhe pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social desde 2013, com os novos moradores encaminhados pelo Centro POP (Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua) ou por meio de abordagem. Atualmente, vivem na unidade 35 homens e 20 mulheres. Eles são separados por alas e podem permanecer até três meses depois de passarem por acompanhamento com equipe psicossocial.

São ofertadas cinco refeições diárias e atendimento com psicólogos, assistentes sociais, educadores e cuidadores, além de oficinas de arte, cultura e esportes, incluindo estudos bíblicos e rodas de capoeira. Milene Belli, gerente administrativa, pontuou que “sob avaliação, encaminhamos para diversas áreas, como emprego, saúde, educação, retorno familiar e vida independente”.

A ONG tem apoio do município e pede auxílio para manter o estoque dos principais mantimentos, que incluem produtos de higiene e limpeza, roupas, cobertores, toalhas, agasalhos, sapatos e alimentos. “Nessa época do ano, sempre utilizamos bastante cobertas e roupas quentes, devido a rotatividade e a demanda. Sempre precisamos promover campanhas de arrecadação, pois acabam faltando nos acolhimentos”, explicou Belli, ressaltando a necessidade das doações.

Área social da Missão Casa Verde
Área social da Missão Casa Verde | Foto: Heloísa Gonçalves

A unidade masculina fica na Rua Hugo Cabral, 192, com a feminina localizada na Rua Joaquim Lacerda, 87, ambas na área central. Como o atendimento é integral, os donativos podem ser entregues a qualquer hora, inclusive de madrugada. Em caso de necessidade de uma equipe buscar a doação, os interessados devem entrar em contato com Belli pelo (43) 8419-0912..

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