Entidades dão apoio a dekasseguis
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quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Walter Ogama 
Dunga, o meio-de-campo da Seleção Brasileira que tentou o penta na Copa do Mundo da França é mais do que um jogador de futebol, no Japão. Dekassegui de primeira linha, uma vez que a tradução mais próxima da palavra é aquele que vai trabalhar fora, Dunga, o comandante que gesticulou, brigou com os companheiros e consolidou a imagem de um atleta enérgico durante o mundial, também gesticula, esbraveja e sugere como membro de grupos de brasileiros que trabalham no Japão.
Segundo o Itamaraty, em Brasília, o jogador faz parte do Conselho de Cidadãos vinculado ao Consulado do Brasil em Nagoya. A entidade, integrada por religiosos, empresários e trabalhadores braçais, realiza reuniões periódicas para discutir e solucionar problemas que afetam as comunidades brasileiras.
São organizações informais que funcionam com o apoio dos dois consulados do Brasil, um em Nagoya e outro em Tókio. Cada um desses conselhos tem cerca de 15 membros, que não apenas procuram solucionar problemas através dos consulados e da embaixada, mas principalmente com atividades que as próprias comunidades propõem, explica o Itamaraty.
O governo brasileiro também assiste os dekasseguis, segundo relato feito pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, aos participantes de uma reunião realizada anteontem sobre o tema, com atividades de apoio à saúde, à educação dos brasileiros.
Segundo o ministro, os dois consulados e a embaixada desenvolvem um trabalho que eles denominam de consulados itinerantes. Grupos de funcionários do governo brasileiro visitam fábricas e comunidades de dekasseguis, onde atendem os trabalhadores na regularização de documentos, por exemplo, disse a deputada federal Marta Suplicy (PT), de São Paulo, em entrevista anteontem à Folha.
O vereador curitibano Rui Harta (PFL), que também participou do encontro de anteontem, em Brasília, informou ontem que, segundo o ministro, na área de educação o governo brasileiro desenvolve no Japão o projeto TV Escola, semelhante ao Telecurso, que pode ser acompanhado pela televisão e permite que o aluno faça o exame supletivo. Os dekasseguis, conforme anunciou Lampreia, terão a oportunidade de prestar exame no Japão.
Drama Pergunta lançada pelo Departamento de Informática da Folha nas páginas da Intenet recebeu ontem mensagem do dekassegui César augusto Tagata, que está em Shizuoka. Ele diz: Estou no Japão há mais de três anos e meio, e nunca vi uma crise tão dramática como a que estamos vivendo. E difícil acreditar que uma potência econômica como esta esteja sendo tão humilhada no panorama da economia mundial. E, infelizmente, todos nós dekasseguis estamos nos sentindo na obrigação de deixar o país, e voltar para casa, pois não existe mais emprego digno, aquele no qual se trabalha por um salário justo e decente. Se existe alguma vaga, é para se executar um trabalho sujo, perigoso, de muito risco e nenhuma garantia, ganhando-se praticamente a metade do que se ganhava há seis meses. É com o coração apertado, magoado, que digo adeus a meus sonhos, a meus objetivos. Vou voltar. Pelo menos estarei em casa, no meu país, do qual eu nunca deveria ter saído.


