Entidades avaliam violência infanto-juvenil no Estado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Até o dia 26 de novembro, entidades que estão elaborando um Plano Estadual de Enfrentamento à Violência Infanto-Juvenil esperam ter concluído um diagnóstico completo da violência contra a criança no Estado, apontando a situação de cada município no atendimento a essas crianças e adolescentes. Com os dados em mãos, as entidades pretendem entregar ao governador eleito, Roberto Requião (PMDB), um documento completo, definindo metas e ações necessárias para reduzir a violência em todo o Estado.
Segundo a representante da Comissão da Criança da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e coordenadora do programa, Márcia Caldas Vellozo Machado, o objetivo principal do programa é prevenir possíveis casos de violência contra crianças e adolescentes. Ela acredita que atualmente os 399 municípios do Estado já tenham Conselhos Municipais da Criança e Conselhos Tutelares, mas são poucos que dispõem de estruturas específicas, como delegacias de proteção à criança e ao adolescente, varas especializadas no atendimento às vítimas e instituições para tratamento de dependentes químicos.
A elaboração do Plano Estadual faz parte de um programa federal do Ministério da Justiça que está sendo implementado em todos os Estados para formular políticas de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. No Paraná, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), o programa federal Sentinela e a Comissão da Criança da OAB decidiram ampliar o foco do programa, abordando também violência física, psicológica, negligência, abandono e trabalho infantil.
A primeira reunião do grupo aconteceu em 26 de setembro. A partir daí, foram elaborados questionários para que cada município fizessem um diagnóstico da violência contra os menores. ''O que víamos é que muitas cidades têm programas para atender as crianças, mas nenhuma ataca de frente a origem da violência'', diz Márcia. Na segunda reunião, ontem, levantamento preliminar com os questionários já entregues mostrou que a primeiro problema é a negligência que abrange a desnutrição, crianças fora da escola, saúde precária e comportamento de abandono dos pais. Em segundo lugar, aparecem os maus tratos e em terceiro o abuso sexual.
''O problema é que a violência contra a criança é vista com naturalidade pela sociedade, os maus tratos fazem parte da cultura das pessoas. Elas vêem a violência quase todo dia na vizinhança, mas só se indignam quando um caso aparece na mídia'', diz Márcia. Entre os participantes, a juíza Terezinha Ruzzon, presidente da Associação de Juízes e Promotores e Justiça da Infância e Juventude lembrou a necessidade de se atacar o problema junto à família. ''As crianças repetem o que vêem. Por isso é necessário criar centros de desenvolvimnto humano nos municípios para pesquisar as relações familiares e capacitar os pais'', propôs.


