Londrina possui cerca de 900 entidades assistenciais e muitos deles contam com a ajuda de voluntários para atender crianças vítimas de violência, dependentes químicos, moradores de rua, idosos, entre outros. Porém, nesta época do ano, devido ao período de festas e de férias, há uma redução no número de pessoas que oferecem seus serviços sem pedir nada em troca.
Segundo o diretor de convênios da secretaria municipal de Assistência Social, Paulo Aragão, neste período há um descompasso de ritmo entre alguns serviços voluntários e o restante da sociedade. ''Enquanto há uma queda entre o número de voluntários, há um aumento de demanda por seus serviços, como no caso dos moradores de rua que chegam à cidade em função do aquecimento do comércio'', destacou.
Para lidar com a situação, muitas entidades adotam o recesso, que pode variar entre uma semana a 20 dias. Eles mantêm apenas as atividades essenciais, realizadas pelos funcionários. Na Casa do Bom Samaritano, por exemplo, a distribuição do café da tarde é interrompida entre uma ou duas semanas e há até uma redução do acolhimento. Essas pessoas, segundo funcionários do albergue, acabam retornando às cidades de origem ou são encaminhadas a outras instituições. A entidade, que atende moradores em situação de rua, idosos e pessoas adoentadas sem familiares, conta com oito voluntários. Atualmente no local estão abrigadas 80 pessoas.
No Serviço de Obras Sociais e na Casa Pão da Vida, que também prestam atendimento a moradores em situação de rua, a procura aumenta no fim de ano. Porém, a capacidade dos abrigos é limitada - juntas acolhem 120 pessoas.
Mesmo as voluntárias dizem ficar tristes com o recesso, mas ressaltam a necessidade de parar para recarregar as energias. A professora aposentada Maria Ângela Lopes e sua amiga, a microempresária Luzia Aparecida, são responsáveis pelos lanches que distribuem aos internos da Casa do Bom Samaritano. ''Nós fazemos esse trabalho o ano inteiro e no fim de ano paramos por uma ou duas semanas'', afirmou Maria Ângela.
O mecânico Glauberson Cabral, que está na Casa do Bom Samaritano, valoriza o trabalho dos voluntários. ''Sem essa ajuda, talvez estivéssemos sem roupas ou comida'', explicando que se não fosse a instituição, teria que ficar na rua.
O lavrador desempregado Josemar Jacinto de Jesus, de 31 anos, que também está no Bom Samaritano, acrescentou que os voluntários sempre estão incentivando os internos a melhorarem de vida e a buscarem um trabalho. Ele explicou que pretende permanecer na casa durante o recesso.

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