Entidades e projetos assistenciais dependem de recursos externos e ajuda da comunidade para realizar as atividades e a verba nem sempre é suficiente para pagar todas as contas. Se não bastasse isso, alguns ainda têm prejuízos extras, já que são alvo de furtos e vandalismo. Duas dessas entidades, localizadas no Jardim do Sol (zona oeste de Londrina), têm enfrentado esse problema. O Instituto Roberto Miranda, que atende deficientes visuais, já foi alvo de quatro furtos em cinco meses. O Centro de Saúde Especial Getexcel sofreu três furtos desde 2018.

Getexcel oferece atendimento odontológico para pacientes de mais de 100 municípios
Getexcel oferece atendimento odontológico para pacientes de mais de 100 municípios | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

A presidente do Getexcel, Martha Beatriz Esgaib Issa, afirma que a região é muito vulnerável. E ressalta que a cada ocorrência há uma despesa enorme na entidade, localizada na rua Abélio Benatti. “A cada furto gastamos pelo menos R$ 1 mil. Prejudica muito nosso serviço, pois temos trabalhado com o mínimo. Sofremos a crise desde 2015, com a redução de doações e de recursos oriundos do poder público. Os profissionais que atuam aqui tiram dinheiro do próprio bolso para atender. O SUS paga o ínfimo, que não é suficiente para cobrir o serviço que realizamos aqui”, declara Issa. O Getexcel oferece tratamento odontológico para pessoas com deficiência de 130 cidades.

Ela explica que as invasões ao centro são maiores do que o número de furtos registrados. “Como tem alarme, muitas vezes ele acaba disparando e essas pessoas vão embora sem levar nada", afirma. “Este ano já aconteceram dois furtos na mesma semana, nos dias 17 e 24 de setembro. Quando levaram a bomba à vácuo e o compressor tivemos de fazer uma campanha no Facebook para tentar arrecadar o dinheiro para comprar esses equipamentos. Se interrompermos o serviço acabaríamos com um trabalho de 26 anos”, declara.

INDIGNAÇÃO

O Instituto Roberto Miranda, localizado na rua Netuno, foi alvo de quatro furtos em cinco meses neste ano, além de duas invasões. “Já furtaram a serra circular, a furadeira, 60 metros de extensão. Como o instituto ainda não adquiriu equipamentos para substituir os que foram eu tenho usado as minhas próprias ferramentas, mas nem sempre consigo vir de carro para trazê-las", conta o encarregado de manutenção Willian Aparecido dos Santos .

Instituto Roberto Miranda: quatro furtos em cinco meses
Instituto Roberto Miranda: quatro furtos em cinco meses | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

O instituto também teve o conjunto do condensador e compressor do ar condicionado levado pelos bandidos. “Levaram também um cano de cobre da caldeira que aquece a piscina e deixaram vazando 700 litros de óleo diesel”, destaca. Em uma das ocasiões levaram a fiação elétrica, que obrigou a sede a ficar dois dias sem energia elétrica.

O diretor pedagógico da unidade, Márcio Rafael da Silva, informa que os pais ficam indignados. “Eles dizem: ‘de novo?’ e perguntam se há algo que possa ser feito. A gente fica sem conseguir justificar esse processo”, destaca.

Ele explica que a ala pedagógica atende 180 alunos com deficiência visual, a ala da saúde é responsável por 150 crianças e adolescentes com autismo ou deficiência intelectual e a hidroterapia atende 250 pessoas. “Quando o cano de cobre da caldeira foi levado, esses 250 alunos ficaram sem piscina aquecida. Quando roubaram o compressor e o condensador do ar condicionado, ficou inviável utilizar a sala devido ao calor”, relata. O local possui sistema de alarme e câmeras de monitoramento, que foram insuficientes. Calcula-se que o prejuízo tenha ultrapassado R$ 10 mil.

Silva diz que é muito complicado lidar com a situação. “A gente busca os meios legais. Fazemos a denúncia, mas há um sentimento de indignação. Ao mesmo tempo realizamos promoções como a venda de pastéis e show de prêmios.
O instituto faz bem para a comunidade. Pode ser que um dia o bandido ou alguém da família dele precise desse atendimento. Como é que alguém pode danificar algo que um dia pode precisar?”, questiona o diretor.

SERVIÇO - Quem quiser colaborar com as instituições pode ligar para o Getexcel (3348-0728) e para o Instituto Roberto Miranda (3327-4330).

mockup