Entidades assistenciais de Londrina são alvos constantes de furtos
Prejuízo financeiro e interrupção no atendimento à população são as consequências
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de outubro de 2019
Prejuízo financeiro e interrupção no atendimento à população são as consequências
Vitor Ogawa - Grupo Folha 
Entidades e projetos assistenciais dependem de recursos externos e ajuda da comunidade para realizar as atividades e a verba nem sempre é suficiente para pagar todas as contas. Se não bastasse isso, alguns ainda têm prejuízos extras, já que são alvo de furtos e vandalismo. Duas dessas entidades, localizadas no Jardim do Sol (zona oeste de Londrina), têm enfrentado esse problema. O Instituto Roberto Miranda, que atende deficientes visuais, já foi alvo de quatro furtos em cinco meses. O Centro de Saúde Especial Getexcel sofreu três furtos desde 2018.

A presidente do Getexcel, Martha Beatriz Esgaib Issa, afirma que a região é muito vulnerável. E ressalta que a cada ocorrência há uma despesa enorme na entidade, localizada na rua Abélio Benatti. “A cada furto gastamos pelo menos R$ 1 mil. Prejudica muito nosso serviço, pois temos trabalhado com o mínimo. Sofremos a crise desde 2015, com a redução de doações e de recursos oriundos do poder público. Os profissionais que atuam aqui tiram dinheiro do próprio bolso para atender. O SUS paga o ínfimo, que não é suficiente para cobrir o serviço que realizamos aqui”, declara Issa. O Getexcel oferece tratamento odontológico para pessoas com deficiência de 130 cidades.
Ela explica que as invasões ao centro são maiores do que o número de furtos registrados. “Como tem alarme, muitas vezes ele acaba disparando e essas pessoas vão embora sem levar nada", afirma. “Este ano já aconteceram dois furtos na mesma semana, nos dias 17 e 24 de setembro. Quando levaram a bomba à vácuo e o compressor tivemos de fazer uma campanha no Facebook para tentar arrecadar o dinheiro para comprar esses equipamentos. Se interrompermos o serviço acabaríamos com um trabalho de 26 anos”, declara.
INDIGNAÇÃO
O Instituto Roberto Miranda, localizado na rua Netuno, foi alvo de quatro furtos em cinco meses neste ano, além de duas invasões. “Já furtaram a serra circular, a furadeira, 60 metros de extensão. Como o instituto ainda não adquiriu equipamentos para substituir os que foram eu tenho usado as minhas próprias ferramentas, mas nem sempre consigo vir de carro para trazê-las", conta o encarregado de manutenção Willian Aparecido dos Santos .

O instituto também teve o conjunto do condensador e compressor do ar condicionado levado pelos bandidos. “Levaram também um cano de cobre da caldeira que aquece a piscina e deixaram vazando 700 litros de óleo diesel”, destaca. Em uma das ocasiões levaram a fiação elétrica, que obrigou a sede a ficar dois dias sem energia elétrica.
O diretor pedagógico da unidade, Márcio Rafael da Silva, informa que os pais ficam indignados. “Eles dizem: ‘de novo?’ e perguntam se há algo que possa ser feito. A gente fica sem conseguir justificar esse processo”, destaca.
Ele explica que a ala pedagógica atende 180 alunos com deficiência visual, a ala da saúde é responsável por 150 crianças e adolescentes com autismo ou deficiência intelectual e a hidroterapia atende 250 pessoas. “Quando o cano de cobre da caldeira foi levado, esses 250 alunos ficaram sem piscina aquecida. Quando roubaram o compressor e o condensador do ar condicionado, ficou inviável utilizar a sala devido ao calor”, relata. O local possui sistema de alarme e câmeras de monitoramento, que foram insuficientes. Calcula-se que o prejuízo tenha ultrapassado R$ 10 mil.
Silva diz que é muito complicado lidar com a situação. “A gente busca os meios legais. Fazemos a denúncia, mas há um sentimento de indignação. Ao mesmo tempo realizamos promoções como a venda de pastéis e show de prêmios.
O instituto faz bem para a comunidade. Pode ser que um dia o bandido ou alguém da família dele precise desse atendimento. Como é que alguém pode danificar algo que um dia pode precisar?”, questiona o diretor.
SERVIÇO - Quem quiser colaborar com as instituições pode ligar para o Getexcel (3348-0728) e para o Instituto Roberto Miranda (3327-4330).


