Entidades arrecadam verba para avaliar termelétrica
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Maigue GuethsDe Curitiba 
O recém-formado Fórum contra a Poluição que reúne entidades ambientalistas, sindicatos, associações de moradores, grupos de escoteiros e setores da igreja de Curitiba e Araucária (Região Metropolitana) está colocando nas ruas uma campanha para arrecadar R$ 12,2 mil. Este é o valor necessário para a contratação de uma auditoria feita por técnicos da Universidade de Campinas (Unicamp) para analisar o impacto ambiental com a instalação de uma usina termelétrica movida a óleo no município de Araucária.
A usina, chamada de Conversão de Fertilizantes e Energia do Paraná (Cofepar), é um empreendimento conjunto da Petrobras, Ultrafértil e a empresa norte-americana Public Service Enterprise Group (PSEG), que pretendem iniciar a obra em junho deste ano. A idéia vem sendo rechaçada por setores da sociedade que, desde o anúncio da obra vêm realizando reuniões com as promotorias do Meio Ambiente e do Trabalho de Araucária, nas quais não descartam um pedido para impedir o funcionamento da usina.
A idéia de arrecadar dinheiro entre a população para fazer uma auditoria independente, de acordo com a presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária, Lídia Lucaski, nasceu depois que a Cofepar se negou a aceitar que técnicos especializados de outros Estados analisassem os Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental (EIA-Rima) feitos pelo grupo. Eles só aceitaram fazer uma auditoria se fosse por pessoas conhecidas daqui do Paraná. Mas aí nós não aceitamos porque deixaria de ser uma auditoria independente, diz Lídia.
Todas as entidades pertencentes ao Fórum estão trabalhando na coleta do dinheiro em escolas, associações, estabelecimentos comerciais entre outros setores. A partir deste final de semana também será montada uma barraca na praça em frente à igreja matriz para arrecadar recursos. Outra iniciativa do Fórum será realizar um seminário, dia 21 de abril, na sala paroquial da igreja, convocando toda população para participar de painéis sobre riscos de poluição e degradação da qualidade de vida com a termelétrica.
Apesar dos diretores das empresas preverem investimento de US$ 600 milhões na obra, qualquer definição sobre sua instalação ainda depende da autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Está marcada para 3 de maio a audiência pública que decidirá pela concessão ou não da licença para a Cofepar. Segundo o responsável pela área de licenciamento do IAP, Pedro Dias, o órgão optou pelo que ele chama de licenciamento participativo. Ou seja, o IAP tem realizado reuniões com diversos setores, como universidades, técnicos, organizações não-governamentais (ONGs) para chegar a uma conclusão técnica sobre o funcionamento da usina. Esta audiência deveria ter ocorrido em 19 de março, mas foi suspensa pelo IAP, na época do acidente com o oleoduto da Petrobras na Serra do Mar.


