Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, do Conselho Permanente de Direitos Humanos (Coped) e da Câmara de Vereadores de Londrina estiveram ontem à tarde no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) para apurar denúncia de que menores internados na instituição teriam sido agredidos fisicamente.
Segundo o relato de um educador do Ciaadi, o incidente ocorreu na noite de segunda para terça-feira. Os jovens teriam apanhado do Pelotão de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), chamados devido a uma rebelião. ''Pelas informações que recebemos, os adolescentes estavam revoltados porque queriam uma alimentação diferenciada para o Natal. Eles teriam queimado colchões e roupas no corredor para protestar'', disse Jorge Custódio, do Coped. ''Pelo menos 20 dos 48 jovens no Centro foram agredidos.'' O vereador Maurício Barros (PT) disse que os adolescentes apresentavam hematomas.
Os colchões teriam sido retirados dos dormitórios após a chegada da PM e só teriam sido devolvidos ontem.
O chefe regional da Secretaria de Estado de Emprego, Cidadania e Promoção Social, padre Manuel Joaquim, disse que foi informado que os adolescentes não provocaram apenas o incêndio, mas tentaram acertar os funcionários com lâminas e pedaços de grade.
A diretora-interina do Ciaadi, Odila Santos Cabral, alegou que os funcionários não testemunharam nenhuma agressão por parte da PM e por isso o fato não foi divulgado. ''Além disso, eu não entrei nas celas, não pude ver se tinha alguém ferido. Naquela noite, tiramos as roupas dos jovens e os colchões com medo de que ateassem fogo novamente. Pela manhã, fizemos a revista. As roupas foram devolvidas em seguida'', explicou.
Odila afirmou desconhecer que os colchões não tinham sido devolvidos na terça-feira. A partir de hoje, Márcio Filla, que estava de férias, volta ao cargo de diretor do Ciaadi. ''Sempre preparamos uma comida diferente para as festas de fim de ano, mas nesta época a tensão cresce entre os adolescentes porque eles querem passar o Natal com a família.''
O caso será encaminhado ao delegado do Adolescente, João Aquino de Almeida. Segundo Custódio, representantes das entidades prepararão um relatório, que deve ser concluído hoje e enviado ao Ministério Público e ao 5º BPM.
A vereadora Márcia Lopes (PT) disse que será convocada uma reunião com o secretário de Emprego, Cidadania e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann. A reportagem tentou falar com o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, mas ele não foi encontrado.

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