Entidades apresentam projeto de aterro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Luiz Taques 
Londrina
A promotora especial de Proteção e Defesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Ferreira Reichenbach, vai intimar o Governo do Estado a realizar imediatamente um levantamento para conhecer exatamente a quantidade de agrotóxicos que está depositada na Colônia Penal Agrícola de Tamarana (a 60 quilômetros de Londrina). A decisão foi tomada porque, durante reunião no Fórum de Londrina, ontem, representantes do Governo e associações e sindicatos nacionais das indústrias fabricantes de agrotóxicos não se entenderam quanto aos volumes de venenos já apreendidos e depositados na Colônia Penal.
A Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), o Sindicato Nacional da Indústria de Defensivos Agrícolas (Sindag) e a Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas (Aenda) asseguraram, com base na relação disponível na Secretaria de Estado de Agricultura, que a quantidade aproximada seria de 2.500 toneladas.
Já o agrônomo Edson Consalter, da regional da Secretaria da Agricultura em Londrina, disse acreditar que no depósito da Colônia Penal existam entre 1.500 e 1.800 toneladas de agrotóxicos. Vamos pedir que o Governo do Estado faça imediatamente esse inventário, afirmou a promotora Maria Lúcia. O agrônomo Cícero Bley Júnior, de Curitiba, calcula que um levantamento desse tipo demore, no mínimo, 30 dias para ser concluído.
A Colônia Penal Agrícola de Tamarana começou a ser construída em 1980. Três anos depois, as obras foram interrompidas. A partir de 1988, produtos tóxicos proibidos e que eram apreendidos pelos fiscais do Governo passaram a ser armazenados em dois galpões daquela construção.
PROJEÇÃOComo ficariam os agrotóxicos em Tamarana: 1 - Célula de entulhos e solos; 2 - Célula de agrotóxicos; 3 - Célula de entulhos e solos; 4 - Tanque de lixívia; 5 - Muro de contenção;O agrônomo Cícero Bley Júnior apresentou à promotora Maria Lúcia, durante a reunião no Fórum, um estudo para o destino do agrotóxico da Colônia Penal. O trabalho dele foi feito sob encomenda do Sindag, Aenda e Andef. Seria um aterro em células de concreto, salientou o agrônomo de Curitiba. A promotora Maria Lúcia Reichenbach vai dar um prazo de 30 dias para o Governo do Estado se manifestar sobre esse estudo.
Comprar um incinerador ou mandar para um outro Estado para incinerar eram até agora as outras alternativas para o depósito de agrotóxicos de Tamarana. Cálculos preliminares do agrônomo Cícero Bley Júnior indicam que o aterro químico por ele proposto custaria aproximadamente R$ 2,1 milhões.
Um outro estudo - o da Comissão Estadual do Meio Ambiente - diz que a incineração ficaria em torno de R$ 4 milhões.
Pela proposta da Andef, Aenda e Sindag, elaborada pelo agrônomo Cícero Bley Júnior, o lixo agrotóxico iria para quatro galpões (o técnico classifica esses galpões de células). Na Colônia Penal, os venenos apreendidos foram armazenados em dois galpões.
A célula de número um seria ocupada por entulhos e solos; a de número dois por agrotóxicos; a três também por entulhos e solos; e a célula de número quatro funcionaria como um tanque.
A capacidade do aterro químico proposto pelo agrônomo Cícero Bley Júnior é limitada. Deve só receber os resíduos perigosos da Colônia Penal de Tamarana, avisa.
Tendo em vista as características dos materiais, o projeto deverá prever a necessidade de impermeabilização, sendo esta elevada ao máximo grau possível, o que se obtém instalando-se tripla camada, duas com materiais artificiais, sendo uma de concreto armado, seguida por uma segunda com geomembrana plástica e por uma terceira camada, esta natural, com argila compactada, explica o agrônomo Cícero Bley Júnior.
Entre as camadas de concreto e manta geomembrana, deverá haver uma camada com elemento poroso para permitir a captação de possíveis lixiviados (operação para lavagem de substâncias químicas), disse o agrônomo de Curitiba.
A execução de um projeto como esse, na avaliação de Cícero Bley Júnior, demoraria um ano. Além do Governo do Estado, o município de Tamarana também terá um mês para se posicionar sobre essa alternativa apresentada pelas entidades.
Se o Estado apresentar uma nova proposta, ela deve vir acompanhada de imediata execução, espera a promotora especial de Proteção e Defesa do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach.


