Das propostas de mudança sugeridas para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a única que obtém apoio de representantes dos professores e alunos da instituição é a extinção do concurso em julho. Para o presidente do Sindicato dos Professores (Sindprol), César Antonio Cagiano Santos, o vestibular de inverno é ‘‘puramente mercadológico e beneficia apenas a universidade e o comércio, que arrecadam muito dinheiro nessa época’’. Rubens Goulart, coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), disse que a seleção no meio do ano ‘‘não faz sentido porque os aprovados só começam a estudar no ano seguinte’’. ‘‘O melhor seria acabar ou possibilitar que os aprovados iniciem os estudos em agosto’’, opinou.
O presidente do Sindprol também acredita que a insatisfação das escolas particulares e cursinhos com o vestibular da UEL seja financeira. Segundo ele, esses estabelecimentos ‘‘estão preocupados com a perda de alunos para os concorrentes e não com a melhoria na qualidade do ensino superior’’. Quanto à idéia de antecipar o vestibular de janeiro para dezembro, Santos afirmou que os professores precisam discutir melhor o assunto, mas argumentou que ‘‘a redução no número de candidatos de outros Estados não é a resposta para facilitar o acesso à universidade pública’’. ‘‘A solução é aumentar o número de vagas, quantidade de verba destinada às instituições e a redução no valor da inscrição do vestibular’’, comentou o sindicalista. O diretor do DCE tem a mesma opinião e acrescentou que ‘‘a tentativa de reservar vagas para candidatos de Londrina e região é umbiguista e preconceituosa’’.
Ambos também concordaram que ‘‘é absurda’’ a proposta de retirada de sociologia, filosofia e artes das provas do vestibular. Para eles, essas disciplinas são fundamentais na formação profissional e já deveriam estar incluídas nos ensinos fundamental e médio. ‘‘Se o dinheiro que o governo investe nas universidades particulares fosse revertido para o ensino público, problemas como a dificuldade de acesso à universidade e o sucateamento seriam bem menores’’, avaliaram.
De acordo com o presidente do Sindiprol, uma das estratégias da campanha salarial dos professores da UEL neste ano é buscar o apoio dos comerciantes. Segundo ele, a categoria perdeu 50% do salário nos últimos cinco anos, o que equivale a cerca de R$ 4 milhões por mês. ‘‘Se a nossa remuneração estivesse equilibrada, em dois meses os comerciantes da cidade arrecadariam o mesmo valor obtido no vestibular de inverno’’, César Santos.
Rubens Goulart disse que, por enquanto, o DCE não vai se posicionar no debate entre representantes de escolas particulares e a universidade sobre as mudanças no vestibular. A entidade deve se manifestar no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da UEL, que é o órgão competente para avaliar as propostas discutidas na audiência pública realizada segunda-feira na Câmara.

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