A descriminação do uso de drogas, em discussão no Congresso Nacional, recebe apoio quase unânime de entidades e da sociedade de Curitiba. Especialistas no tratamento de drogados, como a psicóloga Marisa Dorigo, da clínica de recuperação Nova Esperança, afirmam que não se deve tratar um viciado como um marginal, e sim como um doente.
‘‘Ele precisa se conscientizar da doença. Daquilo que ele faz para ele mesmo’’, defende a psicóloga. Para Marisa, mandar dependentes em drogas para presídios tem o ‘‘pior efeito possível’’. ‘‘Quando ele sair da prisão, o retorno às drogas é certo. Bem diferente do que ocorre com o tratamento’’, diz.
Bela PagliosaLatife Hamdar, 32 anos, comerciante: ‘‘Sou a favor. Se uma pessoa se envolve com drogas é porque tem algum problema e quer se esconder. A droga funciona como uma fuga. Mas o usuário não é bandido. Alguma coisa o levou a isso’’.Embora esteja previsto no artigo 16 do Código Penal, o uso de drogas não tem levado brasileiros aos presídios, afirma o delegado Benedito Gonçalves Neto, titular da Delegacia Anti-Tóxicos, na capital. Em geral, segundo Gonçalves, os juízes têm importo fiança aos usuários que são detidos, desde que ingressem em tratamento.
O delegado diz acreditar que o Brasil deve seguir o caminho de países da Europa, nos quais os viciados continuam a trabalhar, apesar das punições. Essa também é a opinião do presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen) do Paraná, o médico Carlos Abel Fiorucci. Para ele, o País vai copiar os exemplos de países que optaram por dar tratamento diferenciado aos viciados.
A aprovação das propostas que tramitam no Senado e na Câmara Federal, segundo Fiorucci, será uma ‘‘adequação ao que já acontece hoje na sociedade’’. ‘‘Nenhum usuário de drogas é preso’’, afirma.
Conforme o presidente do Conen, ainda falta discutir a quantidade de droga que vai caracterizar um usuário e um traficante. ‘‘Isso deve ser discutido depois’’, diz. Fiorucci acredita que ainda não existem parâmetros para afirmar se a droga encontrada com um cidadão é para consumo próprio ou para a venda.
De todo modo, ele diz que é necessário não marginalizar os viciados. ‘‘É preciso incluir o viciado na sociedade, e não o inverso’’, afirma. ‘‘No século 18, os loucos eram tratados como marginais, com uma bola de ferro nos pés’’, lembra.
Assim como no Brasil, o debate sobre o assunto está na agenda das nações européias. A Grã-Bretanha, por exemplo, vive em meio a campanhas agressivas pela liberação do uso da maconha.Bela PagliosaRicardo Cardoso Filho, 16 anos, auxiliar de escritório: ‘‘Não sou a favor. Acho que os usuários devem ser presos também. É contra a lei e deve continuar assim. O usuário deve ser penalizado, assim como o traficante’’.James Alberti

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