Emerson Cervi
De Curitiba
Entidades representantes de transportadores e produtores rurais vão entrar como terceiros interessados na ação que tramita na 1ª Vara Federal de Curitiba contra o aumento das tarifas de pedágio no Estado. Com a medida, diretores das entidades esperam ser convidados pelo governo para participar das negociações de reajuste do pedágio com as concessionárias.
Sindicato das Empresas de Transportadores de Cargas do Paraná (Setcepar), Sindicado dos Transportadores Autônomos do Paraná (Sindicam), Federação dos Transportadores do Paraná (Fetranspar) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) protocolam recurso à autorização de aumento das tarifas na próxima semana. Como as entidades representam usuários, não precisam de autorização do governo ou das concessionárias para entrar no processo.
Segundo o consultor jurídico Luís Felipe Mussi, a primeira medida será um recurso ao despacho judicial que permitiu reajuste de mais de 100% nas tarifas. ‘‘O ideal seria a manutenção dos valores atuais, com retomada das obras’’, disse. ‘‘Um reajuste como o anunciado vai inviabilizar o transporte de cargas no Estado, não será necessário nem mesmo fazer greve, os caminhoneiros vão parar naturalmente’’, afirmou o presidente da Setcepar, Rui Cichella.
Estudos mostram que o aumento nas tarifas representará um reajuste de 22% no custo dos fretes. Técnicos da Faep simularam os custos para transporte de uma carga de sacas de soja entre Cascavel e Paranaguá. Com reajuste, o caminhoneiro pagará R$ 267,84 de pedágio. Se a rodovia não fosse pedagiada, o frete seria R$ 594,00. Com o pedágio, o valor passará a R$ 861,84.
As entidades poderiam ter optado por uma ação individual. Mas, estando no mesmo processo que o governo, elas terão que participar de um possível acordo com as concessionárias. ‘‘Nosso objetivo é forçar uma negociação com governo e empresas’’, disse Cichella. ‘‘Infelizmente, o governador não aceitou a opinião dos usuários na definição das obras, ele não conhece democracia.
De acordo com o presidente do Sindicam, Diumar Cunha Bueno, a participação dos usuários só traria benefícios. Os transportadores são responsáveis por 65% da receita das concessionárias.

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