Leandro TaquesNa Acoa, menores recebem atenção e brincam como crianças saudáveisEm Curitiba, duas associações atendem não só as crianças, como também os familiares portadores do vírus: a Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav) e a Associação Curitibana dos Órfãos da Aids (Acoa). A primeira atende apenas os doentes e a segunda, atende irmãos filhos de aidéticos, portadores ou não do vírus HIV.
‘‘Nossa idéia é a de não separar irmãos. Isso porque quando chegam aqui eles geralmente já perderam tudo que tinham. E não concordamos com que eles percam também os irmãos’’, explica a presidente da Acoa, Amélia Terezinha Chedid. ‘‘Aqui as crianças frequentam uma escola normal, vão ao teatro, ao shopping e ao cinema. Nossa idéia é melhorar a qualidade de vida delas, sem pensar na expectativa do tempo que ela ainda pode viver’’.
A Associação funciona num terreno doado em comodato para os voluntários, pela prefeitura, que também repassa mensalmente R$ 1.500,00, valor que não chega nem perto do que é realmente gasto pela entidade para conseguir tratar das 23 crianças entre zero e 10 anos que vivem na casa.‘‘Só a folha de pagamento já ultrapassa os R$ 5.500,00’’, justifica Amélia. ‘‘E cada criança, tirando o material que nos é doado pela comunidade, custa para nós no mínimo R$ 400,00. Por isso estamos sempre fazendo bingos, bazares e chás’’.
E isso sem falar nas outras 113 crianças que moram com os familiares, mas que também frequentam a Acoa, atrás de tratamento.‘‘Nós tínhamos uma casa de madeira onde costumávamos fazer o nosso bazar, mas ela desabou de tão velha. Por isso nossa meta agora é juntar dinheiro para fazer um galpão bem maior. Assim, as próprias crianças e voluntários vão poder trabalhar em oficinas e ajudar a manter a casa aberta’’.
Apav - Atuando quase da mesma forma, e há seis anos, a Apav tem hoje 16 crianças em sua casa de apoio, além de atender a 62 famílias com crianças portadoras do vírus. Ao todo são três projetos desenvolvidos. No Vigilantes da Vida são atendidas as famílias como um todo. No Bola de Neve são feitos cursos de conscientização e capacitação de recursos humanos junto às comunidades, escolas e empresas de Curitiba. E no último, o Alegria de Viver, considerado como a ‘‘menina dos olhos’’ da APAV, é mantida a casa de apoio onde vivem as crianças órfãs e doentes da AIDS.
‘‘Nós temos crianças que vieram para cá com uma previsão de apenas mais dois meses de vida e que já estão com a gente há mais de cinco anos’’, conta Maria Rita Teixeira, a presidente da Apav. ‘‘Passamos a adotar uma visão diferente do HIV. Antes tínhamos as crianças doentes e as que eram apenas portadoras do vírus. Agora, a partir do momento em que ela desenvolve uma doença como a pneumonia, por exemplo e precisa de uma medicação intravenosa, já entra com a medicação retroviral, composta pelo AZT, o Epivir ou o DDI. Ou seja, para evitar maiores riscos, ela já é considerada como doente de AIDS’’, explica.
A associação conta com o trabalho de pelo menos 100 voluntários, entre eles 13 psicólogos, seis fisioterapeutas, dois terapeutas ocupacionais, dois fonoaudiólogos. (V.A.)

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