Entidade usa nome de Lerner e Cassio
Israel Reinstein
De Curitiba
Moradores do bairro do Guarituba, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), estão sendo pressionados pela Fundação Metropolitana de Desenvolvimento Social e Econômico (Fundese) para assinar um contrato que prevê a regularização das áreas ocupadas. A entidade já entrou em contato com diversas associações de moradores, compromentendo-se em intermediar a negociação entre proprietários e ocupantes. Alguns terrenos ficam em área de manancial.
No entanto, alguns diretores de associações refutam a proposta, temendo serem enganados pelo diretor da Fundese, Emílio Sérgio Dias. Além de Dias, pelos documentos apresentados, fariam parte da fundação o governador Jaime Lerner, o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi e o presidente do Ipardes, Paulo Mello Garcias. A Folha procurou Emílio Sérgio Dias, mas não teve resposta até o fim da edição. A assessoria do governador avisou que ele não poderia se pronunciar ontem e o prefeito Taniguchi negou qualquer envolvimento com a Fundese.
Um dos secretários da União Piraquarense das Associações de Moradores (Upam), Isaque Gonçalves de Lima, afirma que a Fundese vem forçando as associações a formalizarem o convênio. Eles dizem que se não for fechado acordo, fazem assim mesmo, afirmou.
No contrato apresentado à Upam, no entanto, as associações seriam transformadas em fiadoras da Fundese. Se 80% das famílias concordarem, a entidade faz o levantamento e o trabalho, deixando as dívidas para a associação, afirmou Isaque Lima.
A Fundese pretende cobrar de cada família R$ 45,00 para legalizar o terreno, realizar serviços topográficos e levantamento sócio-econômico dos moradores do Guarituba. Em toda a região, a Upam estima entre 12 mil a 15 mil famílias, o que renderiam a fundação uma quantia entre R$ 540 mil a R$ 675 mil. No entanto, a entidade não se compromete em garantir da regularização.
O representante da Upam, Isaque de Lima, disse que vem aconselhando os diretores de associações a não formalizar os acordos. Um dos motivos é que a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), junto com a prefeitura de Piraquara, deve realizar um trabalho nesse sentido ainda este ano. Foi aprovado no ano passado o projeto de regularização da área, por meio das Unidades Territoriais de Planejamento (UTP).Usando nomes do governador e do prefeito, fundação pressiona morado res para regularizar ocupações de terrenos
ReproduçãoReprodução do contrato que a Fundese apresenta aos moradores de invasãoReproduçãoReprodução do contrato em que aparecem nomes de Lerner e TaniguchiMauro FrassonDENÚNCIAIsaque Gonçalves de Lima, da Upam, afirma que a Fundese vem forçando a assinatura de convênio





