Entidade tenta recuperar vínculo familiar
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Edna Mendes De Londrina 
Uma entidade assistencial de Londrina, a Casa de Maria Centro de Apoio a Dependentes implantou um trabalho inédito na cidade para o tratamento de pessoas dependentes químicos e alcóolatras. Trata-se do projeto Arte de Viver, que tem o objetivo de resgatar os vínculos familiares dos dependentes. Em outras palavras, enquanto os pais são tratados a entidade cuida de seus filhos e recupera o ambiente familiar.
Os pais recebem atendimento ambulatorial e são acompanhados por uma equipe técnica. Uma vez por semana eles visitam os filhos que vivem num abrigo com pais sociais (um casal que se dedica exclusivamente às crianças).
Esse é o único projeto na cidade que atende concomitamente pais e filhos. Entretanto, o projeto sobrevive com dificuldades porque precisa de doações da comunidade. Nas próximas semanas, o Arte de Viver será analisado pelo Conselho Municipal de Assistência Social e poderá ser incluído nos projetos que recebem assessoria técnica e financeria da prefeitura. Se for incluído, o Arte de Viver também poderá captar recursos estaduais e federais. Para cada criança em abrigo, a prefeitura repassa R$ 60,00.
Segundo a presidente da Casa de Maria, Regina Siqueira Almeida, o projeto se diferencia dos demais por tratar os pais dependentes químicos e alcóolatras como vítimas e não como culpados. Os pais, assim como as crianças, são vítimas do contexto social. Se tratarmos os pais como culpados a gente não consegue fazer um trabalho eficaz nem com eles e nem com os filhos, explicou.
Regina também ressaltou que nem sempre a adaptação das crianças é fácil porque elas vêm de um ambiente familiar desestruturado. Essas crianças viviam nas ruas e foram retiradas à força de seus pais. No início elas tiveram dificuldades para entender que agora moram numa casa, com uma família e com deveres e direitos.
Atualmente, 12 crianças, de 11 meses a 10 anos, estão sendo atendidas pelo projeto e moram numa casa com os pais sociais, onde ficarão por até um ano. Depois desse período, o Conselho da Criança e do Adolescente e o Juizado de Menores vai analisar se os pais já estão recuperados e se as crianças podem voltar a conviver com eles.
Na casa social, as crianças brincam, assistem televisão, vão à escola, à natação e à catequese. Elas também são acompanhadas por assistente social, psicóloga, terapeuta ocupacional e auxiliar de sa©úde.
A garota P.N.B., de 9 anos, contou, entusiasmada, que está aprendendo a nadar e que adora assistir desenhos e brincar com as bonecas. Antes eu não tinha isso. Gosto muito de ficar aqui.
Quem quiser fazer doações para as crianças do Arte de Viver pode entrar em contato com a Casa de Maria pelo telefone (43) 328-0694, ou depositar qualquer quantia na conta 57205-0 da agência 39 do Banestado.


