Um adolescente de Cambé (13 km a oeste de Londrina), com 16 anos, está recebendo tratamento no Espaço Vida, em Londrina, para tentar se livrar do vício em cocaína. Este é o primeiro caso de dependência desse tipo de droga em três anos de atuação. A direção da entidade, que é vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, teme que em razão do baixo valor de venda e das constantes apreensões de maconha e dos problemas envolvendo consumidores de crack, a cocaína volte a ser a droga da moda, como ocorreu nos anos 80.
A coordenadora do Espaço Vida, Cristina Schurmann, comentou que há cerca de quatro meses, quando as forças policiais da região passaram a registrar com maior frequência grandes apreensões de maconha, passou a se preocupar com o reaparecimento de consumidores de cocaína. Isso somado ao fato de que o valor de venda da maconha é baixo um cigarro da droga pode ser comprado por R$ 1,00 e às dificuldades dos traficantes em receberem pela venda do crack (também uma droga barata), poderia fazer, estimou Cristina, com que muitos jovens já dependentes migrem para o consumo da cocaína.
''Estamos preocupados sim porque a maconha é barata, o crack tem dado trabalho aos traficantes e tememos que a droga do momento volte a ser a cocaína, como aconteceu na década de 80'', avaliou a coordenadora do Espaço Vida, que tem 18 anos de experiência na área.
Cristina revelou que o menor de Cambé começou a se tratar há pouco mais de duas semanas e deverá ser internado para desintoxicação. ''Ele já é um consumidor compulsivo'', explicou. Ultimamente, segundo a coordenadora, o garoto que morava com a mãe passou a mendigar para conseguir dinheiro para comprar a droga. A coordenadora do Espaço Vida não confirmou que estaria tratando de uma segunda adolescente dependente de cocaína que está grávida. Ela afirmou que a menor, também de Cambé, é dependente de crack.
O oficial de Planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Rogério Martins Ribeiro, não concordou com a análise do Espaço Vida de que as apreensões de maconha poderiam significar o aumento do consumo de cocaína. Ele lembrou que a maconha é porta de entrada para as demais drogas e combatendo essa substância a tendência é diminuir também o consumo das demais. ''O problema maior é a desestruturação das famílias e dos valores morais de forma geral'', lembrou.
O delegado do Adolescente e do Grupo Especial de Combate ao Narcotráfico (Gecon), João Aquino, disse que o crack um subproduto da cocaína com maior poder viciante e a maconha ainda continuam sendo os entorpecentes mais usados pelos jovens, principalmente nas classes mais baixas. ''O consumo de cocaína, se aumentou ou diminuiu, é mais difícil de ser percebido porque é consumida por outro nível social'', apontou. Em dois anos atuando no Gecon e há um na Delegacia do Adolescente, o delegado não se recordou de ter feito apreensões de cocaína envolvendo menores.

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